Archive for the 'web 2.0' Category

Ficção sem Nome (cont.)

No espisódio anterior nossos amigos Dionis e Molony conversavam sobre sua situação, na Infantaria Embarcada, proximidades de Saturno. Alguns dos leitores (dois) se interessaram em escrever o final da história. Todos os (dois) finais são muitos bons, mas nenhum tão bom quanto o meu; portanto optei por publica-lo.

Como assim não é democrático? Claro que é. O que aconteceu foi, digamos, uma reeleição do meu mandato como escritor da história.

Assim, sem mais, segue o fim desse intrigante conto:

(continuação:)

Molony coçou a cabeça, abriu a boca pra falar qualquer coisa mas foi interrompido pelo violento alarme sonoro (que lembrava a vinheta de um antigo jornal da televisão – mas como ele poderia saber?):

– Pa papa papa papapaaam… pa papa papa papa papaaam… thurum.

Em seguida ouviu-se a mensagem:

– Atenção funcionários ASeg e ADef, rotina 54, funcionários ASeg e ADef, rotina 54.

Dionis e Molony já estavam em seus postos antes do fim da mensagem. Colocaram os fones de ouvido no pescoço e apertaram ctrl+alt+del em suas estações. Molony tirou o telefone da base, e discou um número. Dionis digitava freneticamente.

– Radar maximizado no terminal 2 – gritou Dionis.
– Ok – rebateu Molony.
– Sistema de Danos ativo e operante, maximizado no terminal 3 – gritou Dionis.
– Ok – gritou Molony de volta.
– …
– Que houve?
– Lembra a senha do Banco de Dados Balístico?
– $ER334>8C(
– Como vocês decoram essa porra…
– Abriu o SisBal no terminal? – Interrompeu Molony, visivelmente tenso.
– Tá, SisBal, terminal 1, máx.
– Alô! Sgt. Molony, Infantaria ER-334, em rotina 54! Gritou Molony para o telefone.

Mas do outro lado da linha, uma voz rouca e calma contrastava com todo o ambiente ao redor de Molony. A voz tranqüila disse suavemente, “Malony”, uma pausa leve, “Tira seu pessoal daí”. “Boa sorte”, finalizou.

Molony baixou o telefone e olhou ao fundo a janela. Uma luz branca, linda, vinha em sua direção. Dionis virou-se para Molony e só então percebeu a janela cada vez mais clara. Abriu bem os olhos pela última vez.

Seu último pensamento foi:

– Azeus filho de uma p…

FIM

Ficção sem Nome

Este é o primeiro post de uma série sobre Ficção 2.0. Depois do Projeto #microconto via Twitter, voltamos ao blog pra começar uma história e deixar a cargo dos leitores terminá-la. Assim todo mundo ganha. O autor escreve menos, o leitor acha que participa e quem sabe eu não apareço nessas revistas contando sobre o novo processo criativo derivado da web 2.0? Acreditem, se eu ganhar algum, prometo esquecê-los rapidinho…

Segue nossa primeira história:

– Cacete!
– Que houve?
– Nada, não. Droga de frio – reclamou Dionis, esfregando os braços. Droga de friaca, onde a gente tá afinal, Plutão?
– Na verdade estamos perto de Saturno. Dá pra ver o anel? – Brincou o sargento Molony.
– Dô não, dô porra nenhuma. Muito menos pra ver lixo em órbita. Vou pegar um café.
– Pega pra mim também.

Dionis volta, dois cafés na mão.

– Cheguei lá tinha acabado, tive que fazer um novo. Tá, fresco?
– Engraçadinho. Seu café é uma merda, mas pelo menos tá quente.
– Quando esse frio vai diminuir?
– Não vai, porque iria? Estamos cada vez mais longe do Sol…
– Eu sei, porra, mas quando a gente volta?
– Ah, não sei…
– Sabe sim, só não pode falar.

Molony sorriu levemente, levando o café à boca em seguida.

– Porra, ficar de plantão nessa porra é maior furada – Dionis não se conformava.
– Quem mandou entrar pra Infantaria…
– Eu fiz prova pra piloto, não passei. E você? Todo estudado e entendido aí, porque tá nessa roubada?
– Sei lá… Pára de reclamar. Segura um cigarro aí.
– Pode fumar aqui??
– Poder não pode… – Molony acende o cigarro – Mas se você não contar, eu também não conto.

Dionis dá duas baforadas e se enconsta. Olha pela janela, distante, e pergunta quase que para si mesmo:

– Você lembra do Azeus?
– Aquele baixinho, do 3o. Regimento?
– Ele mesmo. Lembra que ele tinha um irmão na Inteligência, e que enchia o saco dizendo que ia ser nosso comandante um dia… Lembra? Como era folgado aquele pilantra…
– Mas por que você tá falando dele?
– Sei lá… nunca mais ouvi falar dele.
– Acho que morreu naquela operação em Marte, aquele cerco uns 2 anos atrás.
– Pertinho de casa… A gente sai um dia e não sabe se volta… – Dionis continuava olhando pela janela.

(continua…)


Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

Este site é um espelho*. Acesse o site principal do Mamendes Express em:

http://www.mamendex.com

* Para que serve um site espelho? Para testar novos formatos, atingir maior audiência e, claro, disputar meu pouco tempo disponível.

Receba o Mamendex

Se você quer ser avisado sempre que um novo texto for publicado, você pode assinar a Newsletter do Mamendes Express. Basta optar por um dos sabores abaixo:

Mamendex no Google Groups
Mamendex

Grupo no Google

my del.icio.us

Blog Stats

  • 4,295 hits

cc -Some rights