Archive for the 'humor' Category

O Manual da Buzina Carioca

Já perdi a conta de quantas vezes amigos e parentes de fora da cidade comentaram comigo o quanto carioca gosta de buzina. A verdade é que o carioca dirige com uma mão na buzina e a outra pendurada do lado de fora.

O carioca adora a buzina. É uma forma de expressão. Um belo instrumento musical de uma nota só. E há muito que faz parte da trilha sonora do nosso dia a dia. A vitória do time é celebrada ao som de várias buzinadas — longe da casa do buzinador, claro. Quem tem boa memória lembra do som da buzina daquele Fusca 77 no qual deu o primeiro beijo… E quem nunca teve uma cena romântica interrompida por uma boa buzinada?

A buzina em si é um serviço público que garante que o trânsito flua mesmo em regiões complicadas. Mais ou menos como o berrante de um tocador de gado. Por exemplo, se não fosse pela buzina, todos os dias dezenas de motoristas morreriam de inanição parados no sinal por não perceber que ele abriu.

Mas mesmo os cariocas nascidos e criados, dirigindo o carro do pai desde os 14 anos, muitas vezes têm problemas para entender o que o companheiro sangue-bom está tentando dizer com tanto escândalo.

Assim, compilei alguns dos principais ‘verbetes buzinais’ comuns do nosso dia a dia, servindo de guia para os visitantes e auxílio para os locais.

(E se tudo der certo vou conseguir um lobby para colocá-lo na bibliografia para a prova do Detran.)

Seguem:

1 toque forte = Seu fdp!
2 toques fortes = É você, seu palhaço!
3 toques fortes = Vai tomar no c*! (ou Vai-te à m).

3 toques curtos e cadenciados = O sinal vai abrir…
1 toque forte e longo = O sinal abriu há 0,2 segundos, pô! Eu avisei!

2 toques leves seguidos de assovio = Deusa maravilhosa, tamos aí!

1 toque breve e 1 longo = Já tô aqui embaixo, desce pô! (poupa-celular).

1 toque breve seguido de 2 longos = Não me fecha, táxi de m.
1 toque breve seguido de 3 longos = Não me fecha, caminhão de m.
1 toque breve seguido de 4 longos = Não me fecha, ônibus de m.

1 toque forte quase infinito (sujeito a efeito Doppler) = Sai da rua, fdp!

7 toques breves ritmados (pâ–pa-pa-pa-pam—pã-pã) = Ninguém atravesse a rua ou abra a porta do carro porque eu estou passando nessa rua estreita (se a rua for longa, repetido infinitamente tal qual uma sirene).

De 2 a 3 toques fortes curtos = Oi, Tchau ou Obrigado (vai saber, serve pra tudo e ninguém entende mesmo).

De 10 a 15 toques fortes curtos = Fulano! Fala aí! Sou eu! Aqui no carro! Não tá vendo pô? Aquiii! Oi! (o que em geral causa constrangimento no alvo da buzinada, que tenta desesperadamente fingir que não é com ele).

39 toques breves e fortes = Kombi ou van avançando o sinal pra cima dos pedestres.

Bom, estes são os principais para carros. Obviamente, é impossível falar de buzina sem falar em motos. Ela é simplesmente seu componente mais importante. Você pode dirigir sem capacete (só serve de máscara pra assaltante mesmo), com a perna engessada, falando ao celular ou passando mensagem de texto. Mas sem buzina não dá.

Seguem então os principais ‘verbetes moto-buzínicos’:

12 toques breves por segundo = moto passando entre carros.
12 toques breves por segundo = moto entrando no túnel.
12 toques breves por segundo = moto saindo do túnel.
12 toques breves por segundo = moto entrando na garagem.
12 toques breves por segundo = moto saindo da garagem.
12 toques breves por segundo = moto na contra-mão.
12 toques breves por segundo = moto andando na calçada.
12 toques breves por segundo = moto avançando sinal.
12 toques breves por segundo = moto fazendo conversão proibida.
12 toques breves por segundo = moto reclamando de fechada.
12 toques breves por segundo = moto com 3 pedindo prioridade.
12 toques breves por segundo = moto.

Bom é isso. Espero que este manual ajude você a entender o que os pacatos cidadãos cariocas que se transformam em feras assassinas por estarem conduzindo um veículo auto motor querem dizer pouco antes de passar por cima de você.

Ou talvez, quem sabe sirva de inspiração para alguém fundar uma ONG contra a poluição sonora, pela regulamentarização das buzinas, sei lá…

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Você é um Lindemberg, uma Eloá ou uma Nayara

Faça aqui o teste de personalidade e descubra quem você é nessa história toda: Lindemberg, Eloá ou Nayara?

A cada afirmação, responda com uma das opções de 1 a 4. Vamos a elas:

A) Sou uma pessoa passional e determinada.
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

B) Meus amigos me querem muito bem.
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

C) Me importo muito com o bem estar dos outros.
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

D) Se pudesse, ajudaria a construir um mundo melhor (mas não posso).
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

E) Crime é uma coisa ruim, a vida deveria ser pacífica.
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

F) Os outros sempre cometem erros, por que eles não podem ser como eu?
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

G) Meu teletubie preferido era o lilás.
1 – concordo plenamente
2 – concordo parcialmente
3 – discordo parcialmente
4 – discordo totalmente

Para cada pergunta some o número da resposta escolhida. Por exemplo, se você marcou a opção 2 para as 7 perguntas, você fez 2 x 7 = 14 pontos.

Vamos ao gabarito:

0 a 6 pontos – Você consegue entender o conceito de escolher uma resposta? Provavelmente você é uma Nayara que voltaria ao cativeiro de livre vontade para ajudar de alguma forma misteriosa.

7 a 13 pontos – Você concorda demais com tudo. Você perdoaria até Hitler. Você é a mãe de Eloá.

14 a 20 pontos – Você é inseguro e indecidido. Definitivamente você não é Lindemberg.

21 ou mais pontos – Você discorda do razoável mas entende que o mundo é como ele é. Conhece as regras e sabe jogar com elas. Você é frio e calculista. Você comete poucos erros e tem o controle da situação. Parabéns, você é o GATE!

Agora uma pausa para nossos reclames:

Lançamento dvd 100 Horas, com a íntegra do Sequestro do ABC e extras com os melhores momentos comentados por especialistas em sequestros passionais. Os 100 primeiros compradores vão participar ao vivo da reconstituição do crime.

Quer interpretar a Nayara na nova minisérie Santo André? Aguarde!

Inteligência de Marketing

Duas histórias sobre Inteligência de Marketing:

— — – — —
Eu estudava num curso de pós graduação de determinada instituição, que prefiro não revelar, e havia um aluno não muito modesto que insistia em ‘ganhar’ as discussões em sala com a última opinião. Estava sempre disposto a ilustrar uma discussão sobre Finanças com informações sobre o processo de extração de petróleo na época de Thomas Edison. Ele foi carinhosamente alcunhado de ‘Só-pra-Finalizar’. Só-pra-Finalizar trabalhava, nas suas próprias palavras, com Inteligência de Marketing. Ninguém se interessava em aprofundar essa conversa.

Graças à sua ação devastadora sobre a participação média da turma, Só-pra-Finalizar ficou conhecido entre os professores, de tal forma que, quando iniciou-se uma nova disciplina, o novo professor já estava avisado do perigo.

Já na primeira aula, Só-pra-Finalizar, só-pra-finalizando, versou sobre as tendências dos novos materiais utilizados nos armamentos americanos, em plena aula de Contabilidade.

Finalizada a finalização, com muita calma, o professor se dirige a ele:

– Você trabalha com quê?
– Eu trabalho com Inteligência…
– Ainda bem, pois caso contrário seria o primeiro a trabalhar com Ignorância. Que eu conheça…

— — – — —
A outra história foi num antigo emprego meu, numa empresa de internet, que prefiro não referenciar.

Vivia minha vida sossegado, junto ao resto da equipe, trabalhando com dedicação exemplar, quando uma pessoa do RH, responsável por nos mudar de baia a cada semestre, se aproxima.

– Você vai mudar de lugar.
– Mas não passaram 6 meses…
– É, mas esse lugar vai ser do estagiário de Inteligência de Marketing que chega semana que vem.
– E eu vou pra onde? O resto da equipe tá todo aqui…
– Vou arrumar um lugar provisório pra você ali no corredor.
– Ué, o novo estagiário da Inteligência de Marketing vai pro lugar definitivo enquanto o funcionário da Burrice de Tecnologia vai prum lugar improvisado?

Dois dias depois eu estava numa mesa pequena e velha, fingindo chegar pra frente toda vez que alguém passava pelo corredor.

Inteligência de Marketing

Duas histórias sobre Inteligência de Marketing:

— — – — —
Eu estudava num curso de pós graduação de determinada instituição, que prefiro não revelar, e havia um aluno não muito modesto que insistia em ‘ganhar’ as discussões em sala com a última opinião. Estava sempre disposto a ilustrar uma discussão sobre Finanças com informações sobre o processo de extração de petróleo na época de Thomas Edison. Ele foi carinhosamente alcunhado de ‘Só-pra-Finalizar’. Só-pra-Finalizar trabalhava, nas suas próprias palavras, com Inteligência de Marketing. Ninguém se interessava em aprofundar essa conversa.

Graças à sua ação devastadora sobre a participação média da turma, Só-pra-Finalizar ficou conhecido entre os professores, de tal forma que, quando iniciou-se uma nova disciplina, o novo professor já estava avisado do perigo.

Já na primeira aula, Só-pra-Finalizar, só-pra-finalizando, versou sobre as tendências dos novos materiais utilizados nos armamentos americanos, em plena aula de Contabilidade.

Finalizada a finalização, com muita calma, o professor se dirige a ele:

– Você trabalha com quê?
– Eu trabalho com Inteligência…
– Ainda bem, pois caso contrário seria o primeiro a trabalhar com Ignorância. Que eu conheça…

— — – — —
A outra história foi num antigo emprego meu, numa empresa de internet, que prefiro não referenciar.

Vivia minha vida sossegado, junto ao resto da equipe, trabalhando com dedicação exemplar, quando uma pessoa do RH, responsável por nos mudar de baia a cada semestre, se aproxima.

– Você vai mudar de lugar.
– Mas não passaram 6 meses…
– É, mas esse lugar vai ser do estagiário de Inteligência de Marketing que chega semana que vem.
– E eu vou pra onde? O resto da equipe tá todo aqui…
– Vou arrumar um lugar provisório pra você ali no corredor.
– Ué, o novo estagiário da Inteligência de Marketing vai pro lugar definitivo enquanto o funcionário da Burrice de Tecnologia vai prum lugar improvisado?

Dois dias depois eu estava numa mesa pequena e velha, fingindo chegar pra frente toda vez que alguém passava pelo corredor.

Esse é pra cassar

E eis que Renan teve êxito onde o Corinthias falhou: escapar da segunda. Numa manobra mais do que esperada Renan renunciou. Mas só à Presidência do Senado. Horas depois, absolvido e aliviado pela segunda vez em um ano, retomou o trabalho de Senador, o qual só teve oportunidade de cumprir por 4 meses esse ano, embora os 20 salários, bônus, jeton, cotas e tudo o que tem direito esteja garantido até o fim do mandato.

Ou vão julgar o cara uma terceira vez? Aí nem eu aguento.

Com este segundo segundo mandato, serão 16 anos a serviço da nação brasileira. O que dá direito a aposentadoria com salário integral. Mais que merecidos.

Falar nisso, a boa notícia é que o povo brasileiro está vivendo mais. E por isso tem a oportunidade de ter mais desgostos, em especial com o trabalho e com o valor de sua pensão, já que graças às regras de previdência pública, quanto mais o povo vive, mais ele trabalha e menos ele recebe.

Já tem gente torcendo pra violência no Rio aumentar e assim a expectativa de vida cair novamente.

Lobão já dizia que é melhor viver 10 anos a mil do que mil a 10. E olha que mil cruzeiros não compravam nada em 86.

Esse é pra cassar

E eis que Renan teve êxito onde o Corinthias falhou: escapar da segunda. Numa manobra mais do que esperada Renan renunciou. Mas só à Presidência do Senado. Horas depois, absolvido e aliviado pela segunda vez em um ano, retomou o trabalho de Senador, o qual só teve oportunidade de cumprir por 4 meses esse ano, embora os 20 salários, bônus, jeton, cotas e tudo o que tem direito esteja garantido até o fim do mandato.

Ou vão julgar o cara uma terceira vez? Aí nem eu aguento.

Com este segundo segundo mandato, serão 16 anos a serviço da nação brasileira. O que dá direito a aposentadoria com salário integral. Mais que merecidos.

Falar nisso, a boa notícia é que o povo brasileiro está vivendo mais. E por isso tem a oportunidade de ter mais desgostos, em especial com o trabalho e com o valor de sua pensão, já que graças às regras de previdência pública, quanto mais o povo vive, mais ele trabalha e menos ele recebe.

Já tem gente torcendo pra violência no Rio aumentar e assim a expectativa de vida cair novamente.

Lobão já dizia que é melhor viver 10 anos a mil do que mil a 10. E olha que mil cruzeiros não compravam nada em 86.

Jogos Mortais (de Filosofia)

Tenho andado sonolento. Hoje cedo fui esquentar o leite no microondas. Acabei conseguindo ligar o aparelho com a tampa aberta. Liguei correndo para o meu médico:

– Doutor, aconteceu um acidente.
– Quem é?
– É o Marcelo. Aconteceu um acidente.
– O que houve?
– Aconteceu um acidente e não sei o que fazer.
– Mas que tipo de acidente??
– Com o microondas. O que eu faço, rápido, pra proteger meu DNA?
– Proteger o quê?
– Meu DNA! Eu não quero virar um mutante…
– Cara, você consegue ir pro meu consultório? Eu tô a caminho de lá.
– Tá, eu chego lá num instante. Até já.

Deve ser exagero, mas com todos esses filmes de super-herói eu tenho medo de me expor a microondas, inseticida, raios cósmicos, a luz da Lua, sei lá. Porque se eu ganhasse super-poderes, com minha raiva não controlada e minha racionalidade exagerada, eu com certeza me tornaria um super-vilão, sádico e psicopata.

Mas meu médico não compartilha do meu zelo, e me encaminhou para terapia. “Já faço terapia, Doutor”. “Cara, tira umas férias e descansa”.

Bem que eu gostaria, mas o trabalho tem acumulado no escritório e, aliás, eu já estava bem atrasado.

Corri para o metrô, almocei qualquer coisa, e subi de escada até o primeiro andar (são 10 lances de escada, vai entender porque o primeiro andar fica no quinto piso). Fui ao banheiro, encontrei um amigo ali no mictório. “E aí? Tudo certo?”. “Tudo certo…”. Ficou aquele clima estranho, aquele silêncio chato como se o papo devesse continuar. Sabe aquela coisa da urina simplesmente não sair? Inventei qualquer coisa, de improviso:

– Já pensou que se não fosse o mictório e as divisórias seríamos simplesmente dois homens lado a lado com o dito-cujo na mão?
– Hein…?
– Deixa pra lá, tô filosofando demais hoje.

Talvez esteja filosofando demais desde há muito tempo.


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