Archive for the 'comédia' Category

Inteligência de Marketing

Duas histórias sobre Inteligência de Marketing:

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Eu estudava num curso de pós graduação de determinada instituição, que prefiro não revelar, e havia um aluno não muito modesto que insistia em ‘ganhar’ as discussões em sala com a última opinião. Estava sempre disposto a ilustrar uma discussão sobre Finanças com informações sobre o processo de extração de petróleo na época de Thomas Edison. Ele foi carinhosamente alcunhado de ‘Só-pra-Finalizar’. Só-pra-Finalizar trabalhava, nas suas próprias palavras, com Inteligência de Marketing. Ninguém se interessava em aprofundar essa conversa.

Graças à sua ação devastadora sobre a participação média da turma, Só-pra-Finalizar ficou conhecido entre os professores, de tal forma que, quando iniciou-se uma nova disciplina, o novo professor já estava avisado do perigo.

Já na primeira aula, Só-pra-Finalizar, só-pra-finalizando, versou sobre as tendências dos novos materiais utilizados nos armamentos americanos, em plena aula de Contabilidade.

Finalizada a finalização, com muita calma, o professor se dirige a ele:

– Você trabalha com quê?
– Eu trabalho com Inteligência…
– Ainda bem, pois caso contrário seria o primeiro a trabalhar com Ignorância. Que eu conheça…

— — – — —
A outra história foi num antigo emprego meu, numa empresa de internet, que prefiro não referenciar.

Vivia minha vida sossegado, junto ao resto da equipe, trabalhando com dedicação exemplar, quando uma pessoa do RH, responsável por nos mudar de baia a cada semestre, se aproxima.

– Você vai mudar de lugar.
– Mas não passaram 6 meses…
– É, mas esse lugar vai ser do estagiário de Inteligência de Marketing que chega semana que vem.
– E eu vou pra onde? O resto da equipe tá todo aqui…
– Vou arrumar um lugar provisório pra você ali no corredor.
– Ué, o novo estagiário da Inteligência de Marketing vai pro lugar definitivo enquanto o funcionário da Burrice de Tecnologia vai prum lugar improvisado?

Dois dias depois eu estava numa mesa pequena e velha, fingindo chegar pra frente toda vez que alguém passava pelo corredor.

Humor, emprego, ócio e gêmeos maus

Falar de si mesmo nunca é fácil.

Piora um pouco quando o você ao qual você se refere é na verdade um pseudônimo de seu alter-ego. Um personagem para o qual você dedica seu potencial e canaliza assim a energia que era desperdiçada no seu dia-a-dia como você mesmo (quem come quem??).

Essa dedicação ocupa seu tempo, claro, e muitas vezes atrapalha sua identidade original. Assim, o que era pra ser um hobby acaba estressando mais do que deveria.

E assim resolvi fazer terapia com uma profissional de verdade.

Eu não soube definir se seria uma terapia ocupacional, grupal, coletiva, já que éramos dois os envolvidos (eu e eu mesmo). Quando eu soube que só eu mesmo já era 3: id, ego e superego; fiquei boquiaberto. Cacete, somos 6 sentados aqui nessa cadeira então, doutora?

Comentei com minha terapeuta, ao reclamar do trabalho, que eu não me sinto realizado com isso.

– O que te deixa realizado então? Com o que você gosta de trabalhar?
– Eu não gosto de trabalhar. Acho que nasci pra outra coisa.

Ela riu. Minha terapeuta riu de mim. Até hoje não sei se uso essa minha capacidade – de fazer as pessoas rirem de mim – de forma construtiva.

– Tia Terapeuta, e se eu for na verdade meu gêmeo mau?
– Nosso tempo acabou. Que tal terça às 10h?

Resolvi pesquisar a fundo essa história de gêmeo mau pra poder explicar melhor.

Segundo consta (na Wikipedia), o gêmeo mau (ou maligno) reflete a dicotomia entre o bem e o mal que existe dentro de nós. Seu gêmeo mau é a cópia exata de você, exceto por ser moralmente antagônico e possuir cavanhaque. Ou seja, ele é na verdade o que você gostaria de ser: uma pessoa livre dos tabus e regras sociais, disposto a fazer de tudo pra conseguir seus objetivos, e que ainda por cima tem menos trabalho pra fazer a barba.

A origem do gêmeo mau está na própria origem do conceito bem x mal: a religião. Consta que o primeiro gêmeo mau foi Cain. Embora não fosse exatamente gêmeo de Abel, era mau o suficiente pra se encaixar na definição…

Vida de gêmeo mau é difícil, pois tudo que ele faz perturbar o gêmeo bom. E o destino do gêmeo mau é ser destruído, ou receber prisão perpétua. O final alternativo é quando o gêmeo mau tira o cavanhaque e faz com que o gêmeo bom seja morto em seu lugar. A moral é que no mundo da ficção não há lugar para gêmeos…

Na literatura, Beowulf é considerado como abordagem do tema, pois apesar de o monstro não ter nenhuma aparência física com o herói, é na verdade a inversão das ações dele.

Em Jornada nas Estrelas, outro exemplo intrigante, enquanto o gêmeo mau de Spock usava adequadamente o cavanhaque, o gêmeo mau de Kirk tinha a cara limpa…

Vários exemplos de gêmeos maus: O Homem da Máscara de Ferro, High School Musical, Futurama, Os Simpsons (nos dois últimos, assim como em South Park, o personagem principal é que era no final das contas, o gêmeo mau). Até em jogos, como Metroid Prime e Zelda. A influência é tamanha que em Lost chegaram a dizer (numa cena deletada) que “só é novela quando o gêmeo mau aparece”. Uma pista sobre futuras temporadas?

Com o tempo, o conceito de gemeo-malignidade foi se expandindo, menos preso aos clichês. Surgiu a idéia de universo espelho, composto de gêmeos maus dos habitantes do universo original. Num episódio de South Park que aborda o tema, o gêmeo mau de Cartman (devidamente cavanhaquezado) era, na verdade, muito gentil.

O Bizarro por exemplo, gêmeo mau do Super-homem, casou com uma gêmea má da Lois Lane e gerou todo um Mundo Bizarro, onde a chuva cai pra cima, as zebras caçam as leoas e o Governo paga imposto aos habitantes.

A gêmea má da Lois Lane não tem cavanhaque. A bem da verdade, as gêmeas más não costumam se diferenciar no pelo facial, mas sim pela cor ou tamanho dos cabelos, ou mais recentemente, pelo sotaque. Truque oriundo das novelas de rádio, onde obviamente, as diferenças entre os gêmeos não são físicas, mas sim no timbre da voz.

Ainda no caso do Super-Homem, ele tem um gêmeo mau – Bizarro – um alter-ego – Clark Kent. A diferença entre os dois últimos, bizarrices à parte, estaria em ter a mesma índole (alter-ego) ou a índole inversa (gêmeo mau) do personagem.

Então não sou meu gêmeo mau. Sou só um simples alter-ego mesmo. Menos mal 🙂

Confesso, tem sido cansativo administrar essa micro-empresa. Domínio, DNS, Blogger, Google Apps, Adsense… Mas nada disso se compara a outra opção: me dedicar ao meu emprego!

Brincadeiras a parte, meu emprego tem exigido muito de mim e me sinto frustrado em não conseguir responder à altura. Mais frustrado do que quando tenho que ouvir quieto as piadas do tipo “é isso aí, funcionário público tem muito tempo livre pra ficar escrevendo blog…”.

Palavras fortes, venenosas… doem bastante.

Mas se uma geração de grandes escritores brasileiros surgiu dos servidores do Governo, então eu sou só a continuação dessa história. Afinal, quem foi que disse que Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade não eram servidores altamente dedicados?

Na segunda-feira, observando a lua (que por sinal estava um cartão postal), eu pensei que talvez minha vocação fosse exatamente essa: não fazer nada e contemplar tudo. Talvez eu seja um Vinicius de Moraes, ou um Tom Jobim, ou um Pablo Neruda, só que sem nenhum talento.

Se pra ser um grande poeta ou um grande brasileiro é necessário algum talento, então eu precisava de uma segunda opção. Talvez eu pudesse ser um monge budista.

Consegui alguns livros, estudei bastante. Mas acho que não levo jeito. Eu não poderia mais fazer churrasco, andar a cavalo, fazer sexo, roubar, etc. E ainda ia querer rediscutir várias das regras milenares. Como é que é essa história da Flor de Lótus aí?

Não gosto de reconhecer, já que admiro tanto o trabalho árduo, mas minha vontade mesmo é a de ser vagabundo. Pensando bem, talvez isso seja por si só um talento.

Um ponto positivo foi ter nascido no Brasil. Nosso país é o único no mundo que garante o direito universal à vagabundagem. Em especial no Rio de Janeiro, terra da praia às segundas-feiras.

Por exemplo, em que outro país você poderia colocar uma cadeira e ficar sentado na porta de um banco o dia inteiro, simplesmente observando o vai e vêm do gerente, funcionários e clientes? Enquanto você não sacar a arma e anunciar o assalto, ninguém pode te tirar dali.

Muito calor dentro de casa? Pegue o colchão e durma na rua, na marquise de qualquer prédio. Ou fique só deitado ali, com sua cervejinha, observando o cair da tarde de domingo. Ou de terça. Mais uma vez, ninguém pode te obrigar a sair dali. E se a marquise cair, você ainda ganha uma boa indenização…

Dizem que é proibido tomar banho no chafariz, mas eu nunca vi ninguém ser reprimido por isso… nem por lavar a roupa. Na dúvida, não passe xampú, pra caso tenha que sair correndo não ficar com o cabelo todo seboso.

E a grande dica: mantenha uma caixinha no chão por perto porque sempre tem uma velhinha distribuindo trocados para quem mantém viva a autêntica malandragem carioca…

Serviço

Mais sobre gêmeos maus na Wikipedia em inglês ou português.

Onde comprar os livros, filmes, séries, quadrinhos e jogos citados: Vinicius, Jobim, Superman, Jornada nas Estrelas, South Park, Futurama, Os Simpsons, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda.

Causas e conseqüências

Continuando o papo sobre causas, vamos falar hoje sobre o movimento em defesa dos direitos humanos, da criança e do adolescente, dos animais, o movimento liberal e o movimento do software livre. É, estou tão animado quanto você.

Fiz o dever de casa e fui buscar informações sobre estas instituições. O movimento dos direitos humanos, por exemplo, defende garantias mínimas de vida, saúde e acesso a mecanismos legais e governamentais a todas as pessoas do mundo. Geralmente ele entra em conflito com a galera do movimento liberal, que pede que o governo interfira menos no dia a dia da população, e deixe os mecanismos de mercado (trabalho, remuneração e lucro) regularem as engrenagens sociais. O que geralmente é mal visto pela população brasileira, já que o brasileiro médio acha que trabalho é castigo, dinheiro cai do céu, as empresas são o Diabo, e o governo é Deus na Terra para os homens de bem. Vinde a nós.

Bem lembrado. Geralmente a defesa de uma causa se mistura com a Religião. O movimento pelos direitos dos animais, por exemplo, defende que tudo que se move e não faz fotossíntese têm quase os mesmos direitos que os seres humanos. Ainda não existe um movimento pelos direitos dos vegetais, ou dos minerais, ou dos fungos, ou do reino protista, ou monera. Mas imagino que algum direito eles tenham, pô!

Afinal você gostaria de ser arrancado de seu habitat natural e enfeitado com mil luzes pra servir de adorno na ceia de Natal? Ou ficar preso a um vaso minúsculo inibindo seu crescimento e ser constantemente mutilado para o exercício de paciência de um japa? Ou ser afogado no seu próprio excremento até morrer intoxicado de álcool ou oxigênio?

Todos os seres vivos estão sujeitos ao abate para alimentação ou vestimentas, ao uso para carga, e ainda, à exploração para simples adorno. Afinal de contas, existe realização maior para um cachorro descendente dos grandes lobos, ou um gato herdeiro legítimo dos tigres, do que andar pelo Rio Design no colo das madames? É ou não é a vida que eles pediram à Fauna?

Inclusive, é mais ou menos esse o objetivo da OAB para com os advogados (e seus melhores clientes).

Pra mim crueldade mesmo é eliminar a capacidade analítica e o caráter de um ser vivo. Transformá-los em zumbis passivos e consumistas. No momento que alguém convence uma pessoa inteligente que é engraçado ver um rapaz de dentadura falsa fazendo uma imitação barata de mais de 20 anos de antiguidade, ou uma mulher de peruca com voz estridente gritando histérica e desafinada, pode-se dizer que você roubou parte da essência dessa pessoa.

Mais ou menos aquilo que os índios temiam quando alegavam que a fotografia lhes roubaria a alma.

Não é a toa que os blogs e sites diversos se multiplicam, na tentativa de resgatar um pouco da autenticidade que se perdeu com a comunicação em massa. Talvez a situação hoje seja parecida com um novo Renascentismo, onde ver as mesmas notícias, ler as mesmas coisas, ter os mesmos interesses que todo o mundo não faz mais o menor sentido. Estamos todos antenados, mas cada um na sua 🙂

Saímos da Idade Média dos mega-portais e do jornalismo de viés político, dos infomerciais religiosos, das piadas enlatadas prontas pra aquecer no microondas, das pegadinhas e cassetadas orientais, e caímos de frente na multiplicação explosiva de pílulas de informação, próximas e afastadas da origem, ilhas de opinião, discussão e comentários, e especialmente, num vasto material humorístico espalhado pelos 4 cantos.

Óbvio que a maioria absoluta desse material está abaixo da linha de consumo. Fora que temos mais spammers, todo dia alguém posta uma mensagenzinha ridícula no seu scrapbook, blogueiros travam batalhas e atropelam o bom-senso por um punhado de audiência… Mas o mecanismo de acesso democrático da Internet mostra sua força; da quantidade podemos tirar a qualidade, e por que não o dizer: tem gosto pra tudo!

Mais que blogers e video-makers, muitos vêm se erguendo na defesa da inteligência do humor, e lutam para trazer de volta a dignidade para a Comédia. É o caso dos movimentos como o Comédia em Pé, o Sindicato da Comédia e o Clube da Comédia. Não se engane com a pouca criatividade na hora de batizar os grupos, esse pessoal tem muito a oferecer. Não se deixe levar pelas caras feias tampouco, pois esse pessoal seria engraçado mesmo se houvesse a remota possibilidade de serem bonitos.

Você, amigo, faça sua parte, junte-se a nós, produzindo e consumindo o humor refinado, a comédia sagrada e sátira inteligente, que tanto fazia falta em nossa geração.

Deixe de ficar assistindo a filmes ridículos com humor de banheiro. Esqueça os programas que apresentam semana atrás de semana as mesmas piadas sem graça. Tape os ouvidos para os bordões repetidos infinitamente na tentativa desesperada de fazer alguém rir.

Ajude a preservar o humor inteligente da extinção para que as próximas gerações possam conhecê-lo.

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique ‘Ai cacete’ da semana passada:

http://br.youtube.com/watch?v=JKMnArzmq9g

Causas e conseqüências

Continuando o papo sobre causas, vamos falar hoje sobre o movimento em defesa dos direitos humanos, da criança e do adolescente, dos animais, o movimento liberal e o movimento do software livre. É, estou tão animado quanto você.

Fiz o dever de casa e fui buscar informações sobre estas instituições. O movimento dos direitos humanos, por exemplo, defende garantias mínimas de vida, saúde e acesso a mecanismos legais e governamentais a todas as pessoas do mundo. Geralmente ele entra em conflito com a galera do movimento liberal, que pede que o governo interfira menos no dia a dia da população, e deixe os mecanismos de mercado (trabalho, remuneração e lucro) regularem as engrenagens sociais. O que geralmente é mal visto pela população brasileira, já que o brasileiro médio acha que trabalho é castigo, dinheiro cai do céu, as empresas são o Diabo, e o governo é Deus na Terra para os homens de bem. Vinde a nós.

Bem lembrado. Geralmente a defesa de uma causa se mistura com a Religião. O movimento pelos direitos dos animais, por exemplo, defende que tudo que se move e não faz fotossíntese têm quase os mesmos direitos que os seres humanos. Ainda não existe um movimento pelos direitos dos vegetais, ou dos minerais, ou dos fungos, ou do reino protista, ou monera. Mas imagino que algum direito eles tenham, pô!

Afinal você gostaria de ser arrancado de seu habitat natural e enfeitado com mil luzes pra servir de adorno na ceia de Natal? Ou ficar preso a um vaso minúsculo inibindo seu crescimento e ser constantemente mutilado para o exercício de paciência de um japa? Ou ser afogado no seu próprio excremento até morrer intoxicado de álcool ou oxigênio?

Todos os seres vivos estão sujeitos ao abate para alimentação ou vestimentas, ao uso para carga, e ainda, à exploração para simples adorno. Afinal de contas, existe realização maior para um cachorro descendente dos grandes lobos, ou um gato herdeiro legítimo dos tigres, do que andar pelo Rio Design no colo das madames? É ou não é a vida que eles pediram à Fauna?

Inclusive, é mais ou menos esse o objetivo da OAB para com os advogados (e seus melhores clientes).

Pra mim crueldade mesmo é eliminar a capacidade analítica e o caráter de um ser vivo. Transformá-los em zumbis passivos e consumistas. No momento que alguém convence uma pessoa inteligente que é engraçado ver um rapaz de dentadura falsa fazendo uma imitação barata de mais de 20 anos de antiguidade, ou uma mulher de peruca com voz estridente gritando histérica e desafinada, pode-se dizer que você roubou parte da essência dessa pessoa.

Mais ou menos aquilo que os índios temiam quando alegavam que a fotografia lhes roubaria a alma.

Não é a toa que os blogs e sites diversos se multiplicam, na tentativa de resgatar um pouco da autenticidade que se perdeu com a comunicação em massa. Talvez a situação hoje seja parecida com um novo Renascentismo, onde ver as mesmas notícias, ler as mesmas coisas, ter os mesmos interesses que todo o mundo não faz mais o menor sentido. Estamos todos antenados, mas cada um na sua 🙂

Saímos da Idade Média dos mega-portais e do jornalismo de viés político, dos infomerciais religiosos, das piadas enlatadas prontas pra aquecer no microondas, das pegadinhas e cassetadas orientais, e caímos de frente na multiplicação explosiva de pílulas de informação, próximas e afastadas da origem, ilhas de opinião, discussão e comentários, e especialmente, num vasto material humorístico espalhado pelos 4 cantos.

Óbvio que a maioria absoluta desse material está abaixo da linha de consumo. Fora que temos mais spammers, todo dia alguém posta uma mensagenzinha ridícula no seu scrapbook, blogueiros travam batalhas e atropelam o bom-senso por um punhado de audiência… Mas o mecanismo de acesso democrático da Internet mostra sua força; da quantidade podemos tirar a qualidade, e por que não o dizer: tem gosto pra tudo!

Mais que blogers e video-makers, muitos vêm se erguendo na defesa da inteligência do humor, e lutam para trazer de volta a dignidade para a Comédia. É o caso dos movimentos como o Comédia em Pé, o Sindicato da Comédia e o Clube da Comédia. Não se engane com a pouca criatividade na hora de batizar os grupos, esse pessoal tem muito a oferecer. Não se deixe levar pelas caras feias tampouco, pois esse pessoal seria engraçado mesmo se houvesse a remota possibilidade de serem bonitos.

Você, amigo, faça sua parte, junte-se a nós, produzindo e consumindo o humor refinado, a comédia sagrada e sátira inteligente, que tanto fazia falta em nossa geração.

Deixe de ficar assistindo a filmes ridículos com humor de banheiro. Esqueça os programas que apresentam semana atrás de semana as mesmas piadas sem graça. Tape os ouvidos para os bordões repetidos infinitamente na tentativa desesperada de fazer alguém rir.

Ajude a preservar o humor inteligente da extinção para que as próximas gerações possam conhecê-lo.

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique ‘Ai cacete’ da semana passada:

http://br.youtube.com/watch?v=JKMnArzmq9g

Mantenha o céu escuro

Vocês já devem ter percebido que há por aí uma grande campanha sendo montada, tendo como objetivo acabar com a Internet como conhecemos. Tal campanha é patrocinada especialmente por aqueles que não aprenderam ainda como lucrar e expandir seus monopólios para o cyber-território democrático que conseguimos defender até hoje.

Esses dias Elton John afirmou que a Internet é prejudicial a ele, ou melhor, à Música, e sugeriu o fechamento da mesma por cinco anos. Mas não foi nada de mais, seu geriatra já receitou nova medicação.

O que ninguém sabia, e eu revelo agora em primeira mão, é que foi detectado nos servidores da Cia que a declaração de Elton John pode (deve) ter relação com uma campanha da AGMC (Associação das Gravadoras Musicais Caducas) de utilizar artistas atuais (Elton John, Bob Dylan, Nat Cole, Bruce Springsteen, Michael Jackson) para minar a opinião pública sobre a Internet. O próximo alvo: a máquina de xerox.

Afinal de contas, a humanidade era muito mais feliz quando não se podia saber o que acontece do outro lado do mundo em instantes. Quando não se tinha webcams para conversar com pessoas ou simplesmente ver as ruas de Times Square, ou o pôr-do-sol em Tóquio.

Como era bom escrever uma carta e esperar 2 meses pela resposta daquele familiar em outro continente. Esperar chegar em casa para saber as notícias do dia. Ter que procurar jornal para saber a previsão do tempo.

Quer infelicidade que sentimos, não só de saber, mas de “sentir” que a Terra é redonda, e ver fotos via satélite de Foz do Iguaçú, os vulcões do Chile e os cassinos de Las Vegas…

Como é triste popularizar os blogs e a linguagem escrita. Unir pessoas que não se viam há tanto tempo. Compartilhar interesses. Assistir um vídeo do último congresso mundial de fãs de Star Wars.

Não me surpreenderia se um grupo desses resolvesse lutar contra a Lei da Gravidade, tão maléfica e responsável por tantas quedas mundo afora (que adiantaria alguém tentar explicar que sem a gravidade seríamos arremessados ao Espaço)…

Sinceramente, se essas pessoas querem abraçar uma causa, eu tenho várias sugestões.

Passando rapidamente pelas mais simples, que tal defender a natureza, o meio-ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ciência e cultura, as crianças, combater o aquecimento global, a poluição sonora (sabiam que não existe uma ONG sequer dedicada a isso??) ou tantas outras iniciativas, maiores ou menores, mais globais ou mais locais, que seriam praticamente inviáveis se não fosse a comunicação rápida, barata e independente que a Internet oferece?

Pretendo passar nas próximas semanas por algumas das iniciativas que me interessam em particular. Começamos hoje por uma bem singela.

Quantas vezes neste ano que passa você se sentou para olhar o céu noturno? Mesmo quem tem a vida noturna agitada, gasta suas horas dentro de shoppings, carros, boates, restaurantes… nunca tem o ceú como teto e objeto de contemplação.

Lembro de, alguns meses atrás, ter acordado de madrugada e ido à cozinha beber água. Olhando para área de serviço vi um clarão azulado. Corri até a janela para ver o que era e, para minha surpresa, era “apenas” a Lua cheia de uma noite quente, jorrando luminosidade sobre os tetos e ruas da Tijuca. (Alguém assistiu ao Feitiço da Lua [Moonstruck, 87]? Pois bem, era aquela Lua do Cosmo, me despertando à noite). Acordei minha esposa pra ver também, ela ficou meio enjuriada no início mas entendeu perfeitamente quando deu de cara com aquela cascata azulada brotando do céu.

O problema é que nas cidades, mesmo a maioria não tendo percebido, nosso céu noturno está desaparecendo. As estrelas, planetas, a própria Lua. Graças à “poluição luminosa” gerada pelos hábitos modernos e pela violência, as cidades cada vez mais avançam sua iluminação. Ruas, praças, praias, aeroportos. Por economia, grandes prédios são mantidos acesos por toda a noite, inclusive nos fins de semana. Inventaram até aqueles holofotes ridículos, apontados pras nuvens, que qualquer baile funk tem.

Obviamente, um dia (ou uma noite!) vamos sentir falta de ver as estrelas. Elas nos inspiraram a todos, de poetas a cientistas. Foi olhando para o céu que surgiram as religiões. Graças à observação dos astros, a navegação foi possível. Olhando para fora da Terra, descobrimos que toda nossa beleza e complexidade é apenas um grão de areia no céu infinito. Nos tornamos melhores, com certeza, ao descobrir que não somos o centro do Universo — afinal, era muita responsabilidade (e que esperança teria o universo?).

E é na esperança de conciliar o desenvolvimento urbano com a manutenção da beleza do céu escuro que surgiu a organização International Dark-Sky Association. Se você procura uma causa pra abraçar, ou simplesmente é um romântico apreciador das estrelas, não deixe de se manter informado.

Keep watching the skies…

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique da semana passada, com legendas, disponível em:
http://video.google.com/videoplay?docid=8850793527841613888


Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

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