Ficção sem Nome

Este é o primeiro post de uma série sobre Ficção 2.0. Depois do Projeto #microconto via Twitter, voltamos ao blog pra começar uma história e deixar a cargo dos leitores terminá-la. Assim todo mundo ganha. O autor escreve menos, o leitor acha que participa e quem sabe eu não apareço nessas revistas contando sobre o novo processo criativo derivado da web 2.0? Acreditem, se eu ganhar algum, prometo esquecê-los rapidinho…

Segue nossa primeira história:

– Cacete!
– Que houve?
– Nada, não. Droga de frio – reclamou Dionis, esfregando os braços. Droga de friaca, onde a gente tá afinal, Plutão?
– Na verdade estamos perto de Saturno. Dá pra ver o anel? – Brincou o sargento Molony.
– Dô não, dô porra nenhuma. Muito menos pra ver lixo em órbita. Vou pegar um café.
– Pega pra mim também.

Dionis volta, dois cafés na mão.

– Cheguei lá tinha acabado, tive que fazer um novo. Tá, fresco?
– Engraçadinho. Seu café é uma merda, mas pelo menos tá quente.
– Quando esse frio vai diminuir?
– Não vai, porque iria? Estamos cada vez mais longe do Sol…
– Eu sei, porra, mas quando a gente volta?
– Ah, não sei…
– Sabe sim, só não pode falar.

Molony sorriu levemente, levando o café à boca em seguida.

– Porra, ficar de plantão nessa porra é maior furada – Dionis não se conformava.
– Quem mandou entrar pra Infantaria…
– Eu fiz prova pra piloto, não passei. E você? Todo estudado e entendido aí, porque tá nessa roubada?
– Sei lá… Pára de reclamar. Segura um cigarro aí.
– Pode fumar aqui??
– Poder não pode… – Molony acende o cigarro – Mas se você não contar, eu também não conto.

Dionis dá duas baforadas e se enconsta. Olha pela janela, distante, e pergunta quase que para si mesmo:

– Você lembra do Azeus?
– Aquele baixinho, do 3o. Regimento?
– Ele mesmo. Lembra que ele tinha um irmão na Inteligência, e que enchia o saco dizendo que ia ser nosso comandante um dia… Lembra? Como era folgado aquele pilantra…
– Mas por que você tá falando dele?
– Sei lá… nunca mais ouvi falar dele.
– Acho que morreu naquela operação em Marte, aquele cerco uns 2 anos atrás.
– Pertinho de casa… A gente sai um dia e não sabe se volta… – Dionis continuava olhando pela janela.

(continua…)

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