Arquivo para maio \22\UTC 2008

Saudades da Invernada de Olaria

Nos fins de semana da década de 60 era obrigatório assistir os jogos de futebol da equipe da Invernada, cujo “homem gol” era Lincoln Monteiro, um dos chamados “Homens de Ouro”. Na zaga havia um xerife que não figurava nos quadros da polícia, mas viria a ser tricampeão no México, onde foi considerado o atleta de melhor preparo físico da Copa de 1970. Seu nome: Hércules Brito Ruas e fez história na zaga do Vasco, ao lado de Fontana.

Assistíamos às partidas sentados em troncos existentes à volta do campo, onde hoje é uma praça.
Em meio aos policiais de ofício, ouvíamos conversas de pé de ouvido, combinando ações que apareceriam nos jornais, e seriam atribuídas a um tal de “Esquadrão da Morte”.

Era época de Le Coq, Mariel Mariscot, e os bandidos, como Cara de Cavalo e o romântico Lucio Flavio Vilar Lírio, tinham medo da Invernada.
Com Humberto de Mattos, o respeito pela Invernada continuou. Polícia era polícia e bandido era bandido. Simples assim.

Agora, tantos anos depois, é a polícia que nos tira o sossego. Não de forma proposital mas, por se tornarem alvos. E, quando os alvos ficam em nossas portas, também nos tornamos alvos, além de surgirem pequenos atritos. Com o cerco aos acessos ao morro do Cruzeiro, ruas tão pacatas como a Gomensoro, Bernardino Gustavino e Pinto Júnior entre outras, passaram a ter presença constante da polícia (inclusive BOPE, CORE e RONAC), por se tratar de um excelente ponto de observação. Os moradores, que há mais de três décadas não tinham qualquer problema relacionado com violência, nos últimos 90 dias não podem sequer sair de casa, sem correr risco de vida.
Pelos rádios da polícia são ouvidas provocações. A resposta é uma rajada de balas, não importa em que direção, com o rádio ligado. O importante é o recado para os provocadores: “ouçam a música”.
As luminárias que tão bem iluminavam o local, foram destruídas pelos próprios policiais e a Rio Luz se recusa a trocá-las alegando que é perda de tempo, já que elas seriam destruídas novamente.

O clímax ocorreu no domingo, 18 de maio de 2008, às 22:50h, quando um policial desceu de uma viatura do 16o batalhão e efetuou vários disparos contra uma residência. No local mora um casal de 80 anos desde 1964. Um dos projéteis ficou alojado num dos veículos que estavam na garagem, podendo ser usado para determinar de que arma foi disparado, desde que haja interesse das autoridades.
Fica a dúvida: vale a pena reclamar no batalhão? Será que não estaremos reclamando diretamente com o autor dos disparos?
Fica a sugestão ao nosso governador para tentar identificar este policial, pois é de homens com esta coragem que precisamos para combater a criminalidade, deixando que as pessoas de 80 anos ainda possam morrer de velhice.

Que saudade do tempo em que bandido não vestia farda com tanta facilidade.
Que saudade do tempo em que o Vasquinho driblava vários adversários e, após driblar o goleiro, deixava o patrão Lincoln Monteiro mandar a bola para as redes. Apesar do uniforme ser do Bangu, e doado pelo sr. Castor de Andrade, tudo terminava em churrasco e podíamos andar à vontade pela região a qualquer hora do dia ou da noite, com a proteção da INVERNADA DE OLARIA.

CAMC – Morador de Olaria há 44 anos.

Anúncios

Saudades da Invernada de Olaria

Nos fins de semana da década de 60 era obrigatório assistir os jogos de futebol da equipe da Invernada, cujo “homem gol” era Lincoln Monteiro, um dos chamados “Homens de Ouro”. Na zaga havia um xerife que não figurava nos quadros da polícia, mas viria a ser tricampeão no México, onde foi considerado o atleta de melhor preparo físico da Copa de 1970. Seu nome: Hércules Brito Ruas e fez história na zaga do Vasco, ao lado de Fontana.

Assistíamos às partidas sentados em troncos existentes à volta do campo, onde hoje é uma praça.
Em meio aos policiais de ofício, ouvíamos conversas de pé de ouvido, combinando ações que apareceriam nos jornais, e seriam atribuídas a um tal de “Esquadrão da Morte”.

Era época de Le Coq, Mariel Mariscot, e os bandidos, como Cara de Cavalo e o romântico Lucio Flavio Vilar Lírio, tinham medo da Invernada.
Com Humberto de Mattos, o respeito pela Invernada continuou. Polícia era polícia e bandido era bandido. Simples assim.

Agora, tantos anos depois, é a polícia que nos tira o sossego. Não de forma proposital mas, por se tornarem alvos. E, quando os alvos ficam em nossas portas, também nos tornamos alvos, além de surgirem pequenos atritos. Com o cerco aos acessos ao morro do Cruzeiro, ruas tão pacatas como a Gomensoro, Bernardino Gustavino e Pinto Júnior entre outras, passaram a ter presença constante da polícia (inclusive BOPE, CORE e RONAC), por se tratar de um excelente ponto de observação. Os moradores, que há mais de três décadas não tinham qualquer problema relacionado com violência, nos últimos 90 dias não podem sequer sair de casa, sem correr risco de vida.
Pelos rádios da polícia são ouvidas provocações. A resposta é uma rajada de balas, não importa em que direção, com o rádio ligado. O importante é o recado para os provocadores: “ouçam a música”.
As luminárias que tão bem iluminavam o local, foram destruídas pelos próprios policiais e a Rio Luz se recusa a trocá-las alegando que é perda de tempo, já que elas seriam destruídas novamente.

O clímax ocorreu no domingo, 18 de maio de 2008, às 22:50h, quando um policial desceu de uma viatura do 16o batalhão e efetuou vários disparos contra uma residência. No local mora um casal de 80 anos desde 1964. Um dos projéteis ficou alojado num dos veículos que estavam na garagem, podendo ser usado para determinar de que arma foi disparado, desde que haja interesse das autoridades.
Fica a dúvida: vale a pena reclamar no batalhão? Será que não estaremos reclamando diretamente com o autor dos disparos?
Fica a sugestão ao nosso governador para tentar identificar este policial, pois é de homens com esta coragem que precisamos para combater a criminalidade, deixando que as pessoas de 80 anos ainda possam morrer de velhice.

Que saudade do tempo em que bandido não vestia farda com tanta facilidade.
Que saudade do tempo em que o Vasquinho driblava vários adversários e, após driblar o goleiro, deixava o patrão Lincoln Monteiro mandar a bola para as redes. Apesar do uniforme ser do Bangu, e doado pelo sr. Castor de Andrade, tudo terminava em churrasco e podíamos andar à vontade pela região a qualquer hora do dia ou da noite, com a proteção da INVERNADA DE OLARIA.

CAMC – Morador de Olaria há 44 anos.


Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

Este site é um espelho*. Acesse o site principal do Mamendes Express em:

http://www.mamendex.com

* Para que serve um site espelho? Para testar novos formatos, atingir maior audiência e, claro, disputar meu pouco tempo disponível.

Receba o Mamendex

Se você quer ser avisado sempre que um novo texto for publicado, você pode assinar a Newsletter do Mamendes Express. Basta optar por um dos sabores abaixo:

Mamendex no Google Groups
Mamendex

Grupo no Google

my del.icio.us

Blog Stats

  • 4,387 hits

cc -Some rights