Arquivo para setembro \24\UTC 2007

Uni-duni-tê

Coisa boa de se tornar um ser imerso na Internet é rir de tudo que se diz absoluto, correto. Você vê a tal campanha do Estadaço. A World Weird Web brasileira tem 15 milhões de ruivos de aparelhos contando mentiras pra pegar mulher gostosa. Já os jornais de “respeito” do país têm seus 15 editores-chefes, totalmente éticos, livres de comprometimento com picuinhas político-sócio-econômico-pessoais.

Quando eles publicam que os bancos financiaram a campanha do presidente eleito e esquecem de mencionar que os mesmos bancos também financiaram a campanha do segundo colocado, eles simplesmente estão otimizando o espaço jornalístico. Tal omissão não tem nenhum viés de associar lucros recordes dos bancos com a atual gestão do país.

Quando eles publicam que não se pode confiar em qualquer coisa que você lê, eles não estão dizendo que você também não pode confiar só no que alguém escreve. No fundo, você pode mentir omitindo a verdade ou contando apenas uma parte dela. Esse é o perigo de usar apenas uma fonte para se manter informado.

Pense bem, em que é melhor confiar: (a) num infinito de pequenas vozes semicaóticas e independentes ou (b) num seleto grupo de mega-corporações de mídia voltadas ao lucro e a sustentação de seus donos, acionistas e empresas afiliadas?

Acho que você já entendeu que a resposta não é imediata.

Vivo num embate com colegas sobre o poder de processos & métodos e o poder do talento. O que eu nunca entendi foi como a discussão ao longo da história colocou cada coisa em lados opostos da mesa: processos vs. pessoas.

O que é mais importante num carro? O volante, o acelerador ou o freio? Se você escolher um dos três, nem me ofereça carona!

PS: O Mamendex de hoje foi assim, pá e bola, rapidinho. Estamos testando um novo formato mais post, fast, mix, fashion, prime, …

Gostou? Não gostou? Tanto faz? Comente, ligue, mande um e-mail, poste um vídeo-resposta, comunique-se!

Cutucada rapidinha

Apesar do esforço da Veja, não é que mais uma crise econômica mundial passou pelo Brasil que nem marola?

Vergonha Nacional: Vamos dançar, Quadrilha!

O Brasil encena sua expressão de indignação enquanto descarrega toda sua frustração fazendo comentários bem batidos. “isso é uma vergonha (em maiúsculas, seguida de 231 exclamações, o que me recuso a escrever)”. Ou “tudo isso é culpa do PT e do Lula (idem)”. Se bem que nesse caso, nem dá pra discordar.

A absolvição de Renan foi muito articulada (eu não disse “muito bem”, disse “muito”) pelo governo, especialmente o Merdadante, que joga no ventilador o último resquício de chance de ser eleito presidente, governador ou mesmo síndico do prédio. Muitos estranharam que ele, depois de tanta luta para convencer os colegas a absolver o Canalheiros, afirme ter votado em branco (o que, diga-se de passagem, é racismo).

Ora, quê há de se estranhar nisso? Quem nunca colocou pilha fraca pra cima dos outros e depois se escondeu pra ver a mercadante que dava?

Surpresa também 40 senadores “confessarem” que votaram pela cassação, enquanto apenas 35 votos foram realmente computados. Devem se confessar na mesma igreja que o Renan agradece as graças recebidas. Ou será que foi algum problema com a urna eletrônica? Bug no sistema de contagem de votos? Ná, de que importa? Ninguém ficou chateado. Nem ninguém questionou se a votação secreta ainda faz algum sentido.

Mas porque afinal a O.P. (opinião pública) resolveu pegar no pé do Renan? Só porque, digamos, a Souza Cruz sustenta uma das suas famílias bastardas não quer dizer que você não possa por exemplo, votar a favor de uma lei que proíba o fumo. Tampouco quer dizer que você não possa ir à missa aos Domingos e ser um bom Católico.

Ora, Renan é gente como a gente. É mais um relator-de-conselho-de-ética-dos-outros-mas-que-segue-a-sua-própria-ética-duvidosa, como todo o brasileiro faz. Reclama da vergonha do imposto e sonega, reclama da vergonha da violência e consome drogas, reclama da vergonha do caos urbano e avança sinal, suja as ruas, estaciona em qualquer lugar.

Falando em imposto, além do pé do Renan, a OP resolveu pegar no pé da CPMF. Qualquer trabalhador paga por mês mais IPI e ICMS do que paga de CPMF por ano. Se bebe e fuma, pior ainda! É só pegar sua conta de luz, gás, telefone, verificar a carga tributária das suas compras no supermercado, nas suas bebidas e cigarros, e você vai ficar surpreso. Sem falar em IR de 27,5% !

Mas a CPMF é o imposto que mais incomoda, justamente por seus maiores benefícios: é transparente, direta, você sabe quando, quanto e porque está pagando. E o pior: afeta a todos sem exceção, o pobre e o rico. Querem acabar com o imposto mais moderno, ao invés de acabarem com os mais caducos, caros, burocratas, injustos.

Por que afinal a campanha contra CPMF é tão bem veiculada em jornais e revistas, com direito até a horário no Fantáartico? Com o absurdo da taxa adicional de IR (que também qualquer dia vira “provisória”, já que é “adicional” há milênios) ninguém se preocupa em acabar, já que é patrioticamente sonegado pela elite do país.

Mas esqueça os problemas e vamos falar de coisas boas: qual será nossa cara de surpresa quando Cacciola chegar ao Brasil já de habeas-corpus na mão? (Como assim, só porque fugiu da última vez não pode sair em liberdade provisória novamente?)

PS: O quê? Você é contra impostos? Manda e-mail pro Garotinho, ele é contra os juros… Quem sabe vocês não criam uma comunidade no Orkut.

Mais Opinião Pública

Qual será nossa próxima grande Vergonha Nacional:

( ) Uma colisão entre o Trem Bala Rio-SP com um avião da Webjet
( ) Tapetão com direito a CPI no Campeonato Brasileiro e Clube dos 13
( ) Uma CPI sobre as últimas CPIs
( ) Cacciola senador e líder do conselho de ética
( ) Rubinho dando passagem ao campeão da temporada de F1

Tá, essa última é pegadinha…

King Kong na terra dos Simpsons

Dizem que quem não conhece o passado está condenado a cometer os mesmos erros repetidas vezes.

Mais estranho é que, mesmo conhecendo bem o passado, existe gente com essa tendência masoquista de errar tudo de novo e outra vez. Eu mesmo, de tempos em tempos, cismo que posso fazer determinadas coisas que só me causam estresse e dor de cabeça, não necessariamente nessa ordem.

E quem foge de cometer os mesmos erros, acaba por conhecer erros novos. O que, convenhamos, é o que faz a vida valer a pena.

Todo mundo deve ter visto pelo menos uma das versões do filme King Kong (este, ou este, ou este). De como ele é retirado de sua vida de rei na sua pequena e remota ilha para ser atirado aos lobos e tubarões da grande e movimentada Nova Iorque.

O que poucos sabem é que, na verdade, King Kong não foi capturado, por assim dizer. Conste para o bem da verdade que o gorilão-rei foi convencido a tentar carreira na Broadway, graças à lábia do capitão do navio e a sua ambição de ver o mundo e influenciar toda uma geração. O resto da história é uma catástrofe, seguida de uma tragédia.

Após o hype e seus 15 minutos de fama, o macacão logo caiu no esquecimento – em parte graças à estréia de O Fantasma da Ópera. Num turbilhão de depressão, drogas e alcoolismo, Kong seqüestra sua ex-mulher enquanto é perseguido por metade da NYPD.

Todos choram ao ver o simpático gorila de 10 metros de altura ser alvejado pelos modernos aviões da US Air Force, mas a parte mais triste pra mim ocorre pouco antes: o início da subida ao Empire States. Esse é o momento decisivo. Enquanto estava nas ruas, Kong podia ser imobilizado, acertado com tranqüilizantes, sei lá. Mas após o 15º andar, não tem mais volta. Ele sabe que vai morrer.

Muitos se perguntam se ele fez isso para ver um último pôr do sol. Por que ele não decidiu simplesmente fazer as malas e voltar pra seu pequeno reino distante, fazer o milésimo gol e encerrar a carreira num time de várzea qualquer?

O fato é que Kong sabia que estava condenado a cometer os mesmos erros. E a morte não é opcional.

Lembrei do Big Ape em Big Apple porque lembrei de mim numa terra distante, perdido numa noite fria.

Era o primeiro dia de neve do inverno, acompanhado da minha primeira noite de neve na vida. Estava ansioso pra voltar ao apartamento – seria a segunda vez que cumpriria tal trajeto – mas a cidade era bem sinalizada, então não tinha erro.

Saí do estacionamento, peguei a esquerda e segui até a rua principal. No sinal, entrei à direita. “Beleza, é só esperar passar a 18 mile e manter a esquerda, contornar na primeira que aparecer”.

Quando finalmente avistei uma placa, eu congelei. Coberta de neve, o nome da rua era impossível de enxergar. Todas as placas de trânsito estavam assim, digamos, em branco.

Lutei muito até me considerar perdido. No primeiro posto de gasolina que avistei, parei e corri ao telefone.

Ah, meu primeiro contato com uma noite a -11° C…

Fui procurar o telefone do Paul para pedir ajuda. Mas era difícil tirar o papel do bolso com as luvas cobrindo os dedos e tremendo como uma máquina de lavar velha. Como as luvas de longe não eram apropriadas praquele frio, resolvi arrancá-las.

Pronto, telefone na mão, seguiu-se a tarefa de discar os números. Lambia os dedos entre uma tecla e outra. Errei só duas vezes até finalmente acertar toda a sequência.

Pontas dos dedos doloridas, é hora de colocar as moedas. “Minha nossa, se uma cair no chão coberto de neve eu não acho mais e não consigo ligar pra ninguém”. Pensei pela segunda vez que talvez fosse morrer ali… Ensaiei uma posição mais digna para ser encontrado.

A última moeda encaixa perfeitamente, o telefone chama, ele atende. “Paul, sou eu. Acho que tô perdido”. Um instante doloroso de silêncio, ele responde: “Humm, já tô em casa, do outro lado da cidade… Faz o seguinte, tenta se informar por aí, se você continuar perdido me liga de novo”.

Pra quê mencionar que minhas moedas tinham acabado, ou que minhas unhas estavam roxas, ou que minha cabeça já doía (novidade…) de frio?

Entrei na lojinha do posto. Até já tinha esquecido como era bom se sentir aquecido… O rapaz (com cara de paquistanês), com a ajuda de uma menina (com cara de americana) começa a me explicar. Dada minha expressão (com cara de “entendi xongas”), começam a desenhar um mapinha, perguntam se eu era mexicano – “Não, brasileiro” – me entregam o papel e desejam boa sorte. “Qualquer problema, volta aqui”. Eu não sabia nem se conseguiria voltar.

A noite cinza e branca avançava enquanto eu entrava no carro.

Eu ainda não sabia, mas a bonita ruela, típica dos subúrbios americanos, com suas caixas de correio e enfeites de Natal, iria aparecer logo em seguida e me guiar para o apartamento.

Pensando bem, alguns erros a gente se arrepende é de não poder cometer mais vezes.

Humor, emprego, ócio e gêmeos maus

Falar de si mesmo nunca é fácil.

Piora um pouco quando o você ao qual você se refere é na verdade um pseudônimo de seu alter-ego. Um personagem para o qual você dedica seu potencial e canaliza assim a energia que era desperdiçada no seu dia-a-dia como você mesmo (quem come quem??).

Essa dedicação ocupa seu tempo, claro, e muitas vezes atrapalha sua identidade original. Assim, o que era pra ser um hobby acaba estressando mais do que deveria.

E assim resolvi fazer terapia com uma profissional de verdade.

Eu não soube definir se seria uma terapia ocupacional, grupal, coletiva, já que éramos dois os envolvidos (eu e eu mesmo). Quando eu soube que só eu mesmo já era 3: id, ego e superego; fiquei boquiaberto. Cacete, somos 6 sentados aqui nessa cadeira então, doutora?

Comentei com minha terapeuta, ao reclamar do trabalho, que eu não me sinto realizado com isso.

– O que te deixa realizado então? Com o que você gosta de trabalhar?
– Eu não gosto de trabalhar. Acho que nasci pra outra coisa.

Ela riu. Minha terapeuta riu de mim. Até hoje não sei se uso essa minha capacidade – de fazer as pessoas rirem de mim – de forma construtiva.

– Tia Terapeuta, e se eu for na verdade meu gêmeo mau?
– Nosso tempo acabou. Que tal terça às 10h?

Resolvi pesquisar a fundo essa história de gêmeo mau pra poder explicar melhor.

Segundo consta (na Wikipedia), o gêmeo mau (ou maligno) reflete a dicotomia entre o bem e o mal que existe dentro de nós. Seu gêmeo mau é a cópia exata de você, exceto por ser moralmente antagônico e possuir cavanhaque. Ou seja, ele é na verdade o que você gostaria de ser: uma pessoa livre dos tabus e regras sociais, disposto a fazer de tudo pra conseguir seus objetivos, e que ainda por cima tem menos trabalho pra fazer a barba.

A origem do gêmeo mau está na própria origem do conceito bem x mal: a religião. Consta que o primeiro gêmeo mau foi Cain. Embora não fosse exatamente gêmeo de Abel, era mau o suficiente pra se encaixar na definição…

Vida de gêmeo mau é difícil, pois tudo que ele faz perturbar o gêmeo bom. E o destino do gêmeo mau é ser destruído, ou receber prisão perpétua. O final alternativo é quando o gêmeo mau tira o cavanhaque e faz com que o gêmeo bom seja morto em seu lugar. A moral é que no mundo da ficção não há lugar para gêmeos…

Na literatura, Beowulf é considerado como abordagem do tema, pois apesar de o monstro não ter nenhuma aparência física com o herói, é na verdade a inversão das ações dele.

Em Jornada nas Estrelas, outro exemplo intrigante, enquanto o gêmeo mau de Spock usava adequadamente o cavanhaque, o gêmeo mau de Kirk tinha a cara limpa…

Vários exemplos de gêmeos maus: O Homem da Máscara de Ferro, High School Musical, Futurama, Os Simpsons (nos dois últimos, assim como em South Park, o personagem principal é que era no final das contas, o gêmeo mau). Até em jogos, como Metroid Prime e Zelda. A influência é tamanha que em Lost chegaram a dizer (numa cena deletada) que “só é novela quando o gêmeo mau aparece”. Uma pista sobre futuras temporadas?

Com o tempo, o conceito de gemeo-malignidade foi se expandindo, menos preso aos clichês. Surgiu a idéia de universo espelho, composto de gêmeos maus dos habitantes do universo original. Num episódio de South Park que aborda o tema, o gêmeo mau de Cartman (devidamente cavanhaquezado) era, na verdade, muito gentil.

O Bizarro por exemplo, gêmeo mau do Super-homem, casou com uma gêmea má da Lois Lane e gerou todo um Mundo Bizarro, onde a chuva cai pra cima, as zebras caçam as leoas e o Governo paga imposto aos habitantes.

A gêmea má da Lois Lane não tem cavanhaque. A bem da verdade, as gêmeas más não costumam se diferenciar no pelo facial, mas sim pela cor ou tamanho dos cabelos, ou mais recentemente, pelo sotaque. Truque oriundo das novelas de rádio, onde obviamente, as diferenças entre os gêmeos não são físicas, mas sim no timbre da voz.

Ainda no caso do Super-Homem, ele tem um gêmeo mau – Bizarro – um alter-ego – Clark Kent. A diferença entre os dois últimos, bizarrices à parte, estaria em ter a mesma índole (alter-ego) ou a índole inversa (gêmeo mau) do personagem.

Então não sou meu gêmeo mau. Sou só um simples alter-ego mesmo. Menos mal 🙂

Confesso, tem sido cansativo administrar essa micro-empresa. Domínio, DNS, Blogger, Google Apps, Adsense… Mas nada disso se compara a outra opção: me dedicar ao meu emprego!

Brincadeiras a parte, meu emprego tem exigido muito de mim e me sinto frustrado em não conseguir responder à altura. Mais frustrado do que quando tenho que ouvir quieto as piadas do tipo “é isso aí, funcionário público tem muito tempo livre pra ficar escrevendo blog…”.

Palavras fortes, venenosas… doem bastante.

Mas se uma geração de grandes escritores brasileiros surgiu dos servidores do Governo, então eu sou só a continuação dessa história. Afinal, quem foi que disse que Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade não eram servidores altamente dedicados?

Na segunda-feira, observando a lua (que por sinal estava um cartão postal), eu pensei que talvez minha vocação fosse exatamente essa: não fazer nada e contemplar tudo. Talvez eu seja um Vinicius de Moraes, ou um Tom Jobim, ou um Pablo Neruda, só que sem nenhum talento.

Se pra ser um grande poeta ou um grande brasileiro é necessário algum talento, então eu precisava de uma segunda opção. Talvez eu pudesse ser um monge budista.

Consegui alguns livros, estudei bastante. Mas acho que não levo jeito. Eu não poderia mais fazer churrasco, andar a cavalo, fazer sexo, roubar, etc. E ainda ia querer rediscutir várias das regras milenares. Como é que é essa história da Flor de Lótus aí?

Não gosto de reconhecer, já que admiro tanto o trabalho árduo, mas minha vontade mesmo é a de ser vagabundo. Pensando bem, talvez isso seja por si só um talento.

Um ponto positivo foi ter nascido no Brasil. Nosso país é o único no mundo que garante o direito universal à vagabundagem. Em especial no Rio de Janeiro, terra da praia às segundas-feiras.

Por exemplo, em que outro país você poderia colocar uma cadeira e ficar sentado na porta de um banco o dia inteiro, simplesmente observando o vai e vêm do gerente, funcionários e clientes? Enquanto você não sacar a arma e anunciar o assalto, ninguém pode te tirar dali.

Muito calor dentro de casa? Pegue o colchão e durma na rua, na marquise de qualquer prédio. Ou fique só deitado ali, com sua cervejinha, observando o cair da tarde de domingo. Ou de terça. Mais uma vez, ninguém pode te obrigar a sair dali. E se a marquise cair, você ainda ganha uma boa indenização…

Dizem que é proibido tomar banho no chafariz, mas eu nunca vi ninguém ser reprimido por isso… nem por lavar a roupa. Na dúvida, não passe xampú, pra caso tenha que sair correndo não ficar com o cabelo todo seboso.

E a grande dica: mantenha uma caixinha no chão por perto porque sempre tem uma velhinha distribuindo trocados para quem mantém viva a autêntica malandragem carioca…

Serviço

Mais sobre gêmeos maus na Wikipedia em inglês ou português.

Onde comprar os livros, filmes, séries, quadrinhos e jogos citados: Vinicius, Jobim, Superman, Jornada nas Estrelas, South Park, Futurama, Os Simpsons, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda.

Uni-duni-tê

Coisa boa de se tornar um ser imerso na Internet é rir de tudo que se diz absoluto, correto. Você vê a tal campanha do Estadaço. A World Weird Web brasileira tem 15 milhões de ruivos de aparelhos contando mentiras pra pegar mulher gostosa. Já os jornais de “respeito” do país têm seus 15 editores-chefes, totalmente éticos, livres de comprometimento com picuinhas político-sócio-econômico-pessoais.

Quando eles publicam que os bancos financiaram a campanha do presidente eleito e esquecem de mencionar que os mesmos bancos também financiaram a campanha do segundo colocado, eles simplesmente estão otimizando o espaço jornalístico. Tal omissão não tem nenhum viés de associar lucros recordes dos bancos com a atual gestão do país.

Quando eles publicam que não se pode confiar em qualquer coisa que você lê, eles não estão dizendo que você também não pode confiar só no que alguém escreve. No fundo, você pode mentir omitindo a verdade ou contando apenas uma parte dela. Esse é o perigo de usar apenas uma fonte para se manter informado.

Pense bem, em que é melhor confiar: (a) num infinito de pequenas vozes semicaóticas e independentes ou (b) num seleto grupo de mega-corporações de mídia voltadas ao lucro e a sustentação de seus donos, acionistas e empresas afiliadas?

Acho que você já entendeu que a resposta não é imediata.

Vivo num embate com colegas sobre o poder de processos & métodos e o poder do talento. O que eu nunca entendi foi como a discussão ao longo da história colocou cada coisa em lados opostos da mesa: processos vs. pessoas.

O que é mais importante num carro? O volante, o acelerador ou o freio? Se você escolher um dos três, nem me ofereça carona!

PS: O Mamendex de hoje foi assim, pá e bola, rapidinho. Estamos testando um novo formato mais post, fast, mix, fashion, prime, …

Gostou? Não gostou? Tanto faz? Comente, ligue, mande um e-mail, poste um vídeo-resposta, comunique-se!

Cutucada rapidinha

Apesar do esforço da Veja, não é que mais uma crise econômica mundial passou pelo Brasil que nem marola?

Vergonha Nacional: Vamos dançar, Quadrilha!

O Brasil encena sua expressão de indignação enquanto descarrega toda sua frustração fazendo comentários bem batidos. “isso é uma vergonha (em maiúsculas, seguida de 231 exclamações, o que me recuso a escrever)”. Ou “tudo isso é culpa do PT e do Lula (idem)”. Se bem que nesse caso, nem dá pra discordar.

A absolvição de Renan foi muito articulada (eu não disse “muito bem”, disse “muito”) pelo governo, especialmente o Merdadante, que joga no ventilador o último resquício de chance de ser eleito presidente, governador ou mesmo síndico do prédio. Muitos estranharam que ele, depois de tanta luta para convencer os colegas a absolver o Canalheiros, afirme ter votado em branco (o que, diga-se de passagem, é racismo).

Ora, quê há de se estranhar nisso? Quem nunca colocou pilha fraca pra cima dos outros e depois se escondeu pra ver a mercadante que dava?

Surpresa também 40 senadores “confessarem” que votaram pela cassação, enquanto apenas 35 votos foram realmente computados. Devem se confessar na mesma igreja que o Renan agradece as graças recebidas. Ou será que foi algum problema com a urna eletrônica? Bug no sistema de contagem de votos? Ná, de que importa? Ninguém ficou chateado. Nem ninguém questionou se a votação secreta ainda faz algum sentido.

Mas porque afinal a O.P. (opinião pública) resolveu pegar no pé do Renan? Só porque, digamos, a Souza Cruz sustenta uma das suas famílias bastardas não quer dizer que você não possa por exemplo, votar a favor de uma lei que proíba o fumo. Tampouco quer dizer que você não possa ir à missa aos Domingos e ser um bom Católico.

Ora, Renan é gente como a gente. É mais um relator-de-conselho-de-ética-dos-outros-mas-que-segue-a-sua-própria-ética-duvidosa, como todo o brasileiro faz. Reclama da vergonha do imposto e sonega, reclama da vergonha da violência e consome drogas, reclama da vergonha do caos urbano e avança sinal, suja as ruas, estaciona em qualquer lugar.

Falando em imposto, além do pé do Renan, a OP resolveu pegar no pé da CPMF. Qualquer trabalhador paga por mês mais IPI e ICMS do que paga de CPMF por ano. Se bebe e fuma, pior ainda! É só pegar sua conta de luz, gás, telefone, verificar a carga tributária das suas compras no supermercado, nas suas bebidas e cigarros, e você vai ficar surpreso. Sem falar em IR de 27,5% !

Mas a CPMF é o imposto que mais incomoda, justamente por seus maiores benefícios: é transparente, direta, você sabe quando, quanto e porque está pagando. E o pior: afeta a todos sem exceção, o pobre e o rico. Querem acabar com o imposto mais moderno, ao invés de acabarem com os mais caducos, caros, burocratas, injustos.

Por que afinal a campanha contra CPMF é tão bem veiculada em jornais e revistas, com direito até a horário no Fantáartico? Com o absurdo da taxa adicional de IR (que também qualquer dia vira “provisória”, já que é “adicional” há milênios) ninguém se preocupa em acabar, já que é patrioticamente sonegado pela elite do país.

Mas esqueça os problemas e vamos falar de coisas boas: qual será nossa cara de surpresa quando Cacciola chegar ao Brasil já de habeas-corpus na mão? (Como assim, só porque fugiu da última vez não pode sair em liberdade provisória novamente?)

PS: O quê? Você é contra impostos? Manda e-mail pro Garotinho, ele é contra os juros… Quem sabe vocês não criam uma comunidade no Orkut.

Mais Opinião Pública

Qual será nossa próxima grande Vergonha Nacional:

( ) Uma colisão entre o Trem Bala Rio-SP com um avião da Webjet
( ) Tapetão com direito a CPI no Campeonato Brasileiro e Clube dos 13
( ) Uma CPI sobre as últimas CPIs
( ) Cacciola senador e líder do conselho de ética
( ) Rubinho dando passagem ao campeão da temporada de F1

Tá, essa última é pegadinha…

King Kong na terra dos Simpsons

Dizem que quem não conhece o passado está condenado a cometer os mesmos erros repetidas vezes.

Mais estranho é que, mesmo conhecendo bem o passado, existe gente com essa tendência masoquista de errar tudo de novo e outra vez. Eu mesmo, de tempos em tempos, cismo que posso fazer determinadas coisas que só me causam estresse e dor de cabeça, não necessariamente nessa ordem.

E quem foge de cometer os mesmos erros, acaba por conhecer erros novos. O que, convenhamos, é o que faz a vida valer a pena.

Todo mundo deve ter visto pelo menos uma das versões do filme King Kong (este, ou este, ou este). De como ele é retirado de sua vida de rei na sua pequena e remota ilha para ser atirado aos lobos e tubarões da grande e movimentada Nova Iorque.

O que poucos sabem é que, na verdade, King Kong não foi capturado, por assim dizer. Conste para o bem da verdade que o gorilão-rei foi convencido a tentar carreira na Broadway, graças à lábia do capitão do navio e a sua ambição de ver o mundo e influenciar toda uma geração. O resto da história é uma catástrofe, seguida de uma tragédia.

Após o hype e seus 15 minutos de fama, o macacão logo caiu no esquecimento – em parte graças à estréia de O Fantasma da Ópera. Num turbilhão de depressão, drogas e alcoolismo, Kong seqüestra sua ex-mulher enquanto é perseguido por metade da NYPD.

Todos choram ao ver o simpático gorila de 10 metros de altura ser alvejado pelos modernos aviões da US Air Force, mas a parte mais triste pra mim ocorre pouco antes: o início da subida ao Empire States. Esse é o momento decisivo. Enquanto estava nas ruas, Kong podia ser imobilizado, acertado com tranqüilizantes, sei lá. Mas após o 15º andar, não tem mais volta. Ele sabe que vai morrer.

Muitos se perguntam se ele fez isso para ver um último pôr do sol. Por que ele não decidiu simplesmente fazer as malas e voltar pra seu pequeno reino distante, fazer o milésimo gol e encerrar a carreira num time de várzea qualquer?

O fato é que Kong sabia que estava condenado a cometer os mesmos erros. E a morte não é opcional.

Lembrei do Big Ape em Big Apple porque lembrei de mim numa terra distante, perdido numa noite fria.

Era o primeiro dia de neve do inverno, acompanhado da minha primeira noite de neve na vida. Estava ansioso pra voltar ao apartamento – seria a segunda vez que cumpriria tal trajeto – mas a cidade era bem sinalizada, então não tinha erro.

Saí do estacionamento, peguei a esquerda e segui até a rua principal. No sinal, entrei à direita. “Beleza, é só esperar passar a 18 mile e manter a esquerda, contornar na primeira que aparecer”.

Quando finalmente avistei uma placa, eu congelei. Coberta de neve, o nome da rua era impossível de enxergar. Todas as placas de trânsito estavam assim, digamos, em branco.

Lutei muito até me considerar perdido. No primeiro posto de gasolina que avistei, parei e corri ao telefone.

Ah, meu primeiro contato com uma noite a -11° C…

Fui procurar o telefone do Paul para pedir ajuda. Mas era difícil tirar o papel do bolso com as luvas cobrindo os dedos e tremendo como uma máquina de lavar velha. Como as luvas de longe não eram apropriadas praquele frio, resolvi arrancá-las.

Pronto, telefone na mão, seguiu-se a tarefa de discar os números. Lambia os dedos entre uma tecla e outra. Errei só duas vezes até finalmente acertar toda a sequência.

Pontas dos dedos doloridas, é hora de colocar as moedas. “Minha nossa, se uma cair no chão coberto de neve eu não acho mais e não consigo ligar pra ninguém”. Pensei pela segunda vez que talvez fosse morrer ali… Ensaiei uma posição mais digna para ser encontrado.

A última moeda encaixa perfeitamente, o telefone chama, ele atende. “Paul, sou eu. Acho que tô perdido”. Um instante doloroso de silêncio, ele responde: “Humm, já tô em casa, do outro lado da cidade… Faz o seguinte, tenta se informar por aí, se você continuar perdido me liga de novo”.

Pra quê mencionar que minhas moedas tinham acabado, ou que minhas unhas estavam roxas, ou que minha cabeça já doía (novidade…) de frio?

Entrei na lojinha do posto. Até já tinha esquecido como era bom se sentir aquecido… O rapaz (com cara de paquistanês), com a ajuda de uma menina (com cara de americana) começa a me explicar. Dada minha expressão (com cara de “entendi xongas”), começam a desenhar um mapinha, perguntam se eu era mexicano – “Não, brasileiro” – me entregam o papel e desejam boa sorte. “Qualquer problema, volta aqui”. Eu não sabia nem se conseguiria voltar.

A noite cinza e branca avançava enquanto eu entrava no carro.

Eu ainda não sabia, mas a bonita ruela, típica dos subúrbios americanos, com suas caixas de correio e enfeites de Natal, iria aparecer logo em seguida e me guiar para o apartamento.

Pensando bem, alguns erros a gente se arrepende é de não poder cometer mais vezes.


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