Arquivo para agosto \30\UTC 2007

Humor, emprego, ócio e gêmeos maus

Falar de si mesmo nunca é fácil.

Piora um pouco quando o você ao qual você se refere é na verdade um pseudônimo de seu alter-ego. Um personagem para o qual você dedica seu potencial e canaliza assim a energia que era desperdiçada no seu dia-a-dia como você mesmo (quem come quem??).

Essa dedicação ocupa seu tempo, claro, e muitas vezes atrapalha sua identidade original. Assim, o que era pra ser um hobby acaba estressando mais do que deveria.

E assim resolvi fazer terapia com uma profissional de verdade.

Eu não soube definir se seria uma terapia ocupacional, grupal, coletiva, já que éramos dois os envolvidos (eu e eu mesmo). Quando eu soube que só eu mesmo já era 3: id, ego e superego; fiquei boquiaberto. Cacete, somos 6 sentados aqui nessa cadeira então, doutora?

Comentei com minha terapeuta, ao reclamar do trabalho, que eu não me sinto realizado com isso.

– O que te deixa realizado então? Com o que você gosta de trabalhar?
– Eu não gosto de trabalhar. Acho que nasci pra outra coisa.

Ela riu. Minha terapeuta riu de mim. Até hoje não sei se uso essa minha capacidade – de fazer as pessoas rirem de mim – de forma construtiva.

– Tia Terapeuta, e se eu for na verdade meu gêmeo mau?
– Nosso tempo acabou. Que tal terça às 10h?

Resolvi pesquisar a fundo essa história de gêmeo mau pra poder explicar melhor.

Segundo consta (na Wikipedia), o gêmeo mau (ou maligno) reflete a dicotomia entre o bem e o mal que existe dentro de nós. Seu gêmeo mau é a cópia exata de você, exceto por ser moralmente antagônico e possuir cavanhaque. Ou seja, ele é na verdade o que você gostaria de ser: uma pessoa livre dos tabus e regras sociais, disposto a fazer de tudo pra conseguir seus objetivos, e que ainda por cima tem menos trabalho pra fazer a barba.

A origem do gêmeo mau está na própria origem do conceito bem x mal: a religião. Consta que o primeiro gêmeo mau foi Cain. Embora não fosse exatamente gêmeo de Abel, era mau o suficiente pra se encaixar na definição…

Vida de gêmeo mau é difícil, pois tudo que ele faz perturbar o gêmeo bom. E o destino do gêmeo mau é ser destruído, ou receber prisão perpétua. O final alternativo é quando o gêmeo mau tira o cavanhaque e faz com que o gêmeo bom seja morto em seu lugar. A moral é que no mundo da ficção não há lugar para gêmeos…

Na literatura, Beowulf é considerado como abordagem do tema, pois apesar de o monstro não ter nenhuma aparência física com o herói, é na verdade a inversão das ações dele.

Em Jornada nas Estrelas, outro exemplo intrigante, enquanto o gêmeo mau de Spock usava adequadamente o cavanhaque, o gêmeo mau de Kirk tinha a cara limpa…

Vários exemplos de gêmeos maus: O Homem da Máscara de Ferro, High School Musical, Futurama, Os Simpsons (nos dois últimos, assim como em South Park, o personagem principal é que era no final das contas, o gêmeo mau). Até em jogos, como Metroid Prime e Zelda. A influência é tamanha que em Lost chegaram a dizer (numa cena deletada) que “só é novela quando o gêmeo mau aparece”. Uma pista sobre futuras temporadas?

Com o tempo, o conceito de gemeo-malignidade foi se expandindo, menos preso aos clichês. Surgiu a idéia de universo espelho, composto de gêmeos maus dos habitantes do universo original. Num episódio de South Park que aborda o tema, o gêmeo mau de Cartman (devidamente cavanhaquezado) era, na verdade, muito gentil.

O Bizarro por exemplo, gêmeo mau do Super-homem, casou com uma gêmea má da Lois Lane e gerou todo um Mundo Bizarro, onde a chuva cai pra cima, as zebras caçam as leoas e o Governo paga imposto aos habitantes.

A gêmea má da Lois Lane não tem cavanhaque. A bem da verdade, as gêmeas más não costumam se diferenciar no pelo facial, mas sim pela cor ou tamanho dos cabelos, ou mais recentemente, pelo sotaque. Truque oriundo das novelas de rádio, onde obviamente, as diferenças entre os gêmeos não são físicas, mas sim no timbre da voz.

Ainda no caso do Super-Homem, ele tem um gêmeo mau – Bizarro – um alter-ego – Clark Kent. A diferença entre os dois últimos, bizarrices à parte, estaria em ter a mesma índole (alter-ego) ou a índole inversa (gêmeo mau) do personagem.

Então não sou meu gêmeo mau. Sou só um simples alter-ego mesmo. Menos mal 🙂

Confesso, tem sido cansativo administrar essa micro-empresa. Domínio, DNS, Blogger, Google Apps, Adsense… Mas nada disso se compara a outra opção: me dedicar ao meu emprego!

Brincadeiras a parte, meu emprego tem exigido muito de mim e me sinto frustrado em não conseguir responder à altura. Mais frustrado do que quando tenho que ouvir quieto as piadas do tipo “é isso aí, funcionário público tem muito tempo livre pra ficar escrevendo blog…”.

Palavras fortes, venenosas… doem bastante.

Mas se uma geração de grandes escritores brasileiros surgiu dos servidores do Governo, então eu sou só a continuação dessa história. Afinal, quem foi que disse que Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade não eram servidores altamente dedicados?

Na segunda-feira, observando a lua (que por sinal estava um cartão postal), eu pensei que talvez minha vocação fosse exatamente essa: não fazer nada e contemplar tudo. Talvez eu seja um Vinicius de Moraes, ou um Tom Jobim, ou um Pablo Neruda, só que sem nenhum talento.

Se pra ser um grande poeta ou um grande brasileiro é necessário algum talento, então eu precisava de uma segunda opção. Talvez eu pudesse ser um monge budista.

Consegui alguns livros, estudei bastante. Mas acho que não levo jeito. Eu não poderia mais fazer churrasco, andar a cavalo, fazer sexo, roubar, etc. E ainda ia querer rediscutir várias das regras milenares. Como é que é essa história da Flor de Lótus aí?

Não gosto de reconhecer, já que admiro tanto o trabalho árduo, mas minha vontade mesmo é a de ser vagabundo. Pensando bem, talvez isso seja por si só um talento.

Um ponto positivo foi ter nascido no Brasil. Nosso país é o único no mundo que garante o direito universal à vagabundagem. Em especial no Rio de Janeiro, terra da praia às segundas-feiras.

Por exemplo, em que outro país você poderia colocar uma cadeira e ficar sentado na porta de um banco o dia inteiro, simplesmente observando o vai e vêm do gerente, funcionários e clientes? Enquanto você não sacar a arma e anunciar o assalto, ninguém pode te tirar dali.

Muito calor dentro de casa? Pegue o colchão e durma na rua, na marquise de qualquer prédio. Ou fique só deitado ali, com sua cervejinha, observando o cair da tarde de domingo. Ou de terça. Mais uma vez, ninguém pode te obrigar a sair dali. E se a marquise cair, você ainda ganha uma boa indenização…

Dizem que é proibido tomar banho no chafariz, mas eu nunca vi ninguém ser reprimido por isso… nem por lavar a roupa. Na dúvida, não passe xampú, pra caso tenha que sair correndo não ficar com o cabelo todo seboso.

E a grande dica: mantenha uma caixinha no chão por perto porque sempre tem uma velhinha distribuindo trocados para quem mantém viva a autêntica malandragem carioca…

Serviço

Mais sobre gêmeos maus na Wikipedia em inglês ou português.

Onde comprar os livros, filmes, séries, quadrinhos e jogos citados: Vinicius, Jobim, Superman, Jornada nas Estrelas, South Park, Futurama, Os Simpsons, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda.

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Causas e conseqüências

Continuando o papo sobre causas, vamos falar hoje sobre o movimento em defesa dos direitos humanos, da criança e do adolescente, dos animais, o movimento liberal e o movimento do software livre. É, estou tão animado quanto você.

Fiz o dever de casa e fui buscar informações sobre estas instituições. O movimento dos direitos humanos, por exemplo, defende garantias mínimas de vida, saúde e acesso a mecanismos legais e governamentais a todas as pessoas do mundo. Geralmente ele entra em conflito com a galera do movimento liberal, que pede que o governo interfira menos no dia a dia da população, e deixe os mecanismos de mercado (trabalho, remuneração e lucro) regularem as engrenagens sociais. O que geralmente é mal visto pela população brasileira, já que o brasileiro médio acha que trabalho é castigo, dinheiro cai do céu, as empresas são o Diabo, e o governo é Deus na Terra para os homens de bem. Vinde a nós.

Bem lembrado. Geralmente a defesa de uma causa se mistura com a Religião. O movimento pelos direitos dos animais, por exemplo, defende que tudo que se move e não faz fotossíntese têm quase os mesmos direitos que os seres humanos. Ainda não existe um movimento pelos direitos dos vegetais, ou dos minerais, ou dos fungos, ou do reino protista, ou monera. Mas imagino que algum direito eles tenham, pô!

Afinal você gostaria de ser arrancado de seu habitat natural e enfeitado com mil luzes pra servir de adorno na ceia de Natal? Ou ficar preso a um vaso minúsculo inibindo seu crescimento e ser constantemente mutilado para o exercício de paciência de um japa? Ou ser afogado no seu próprio excremento até morrer intoxicado de álcool ou oxigênio?

Todos os seres vivos estão sujeitos ao abate para alimentação ou vestimentas, ao uso para carga, e ainda, à exploração para simples adorno. Afinal de contas, existe realização maior para um cachorro descendente dos grandes lobos, ou um gato herdeiro legítimo dos tigres, do que andar pelo Rio Design no colo das madames? É ou não é a vida que eles pediram à Fauna?

Inclusive, é mais ou menos esse o objetivo da OAB para com os advogados (e seus melhores clientes).

Pra mim crueldade mesmo é eliminar a capacidade analítica e o caráter de um ser vivo. Transformá-los em zumbis passivos e consumistas. No momento que alguém convence uma pessoa inteligente que é engraçado ver um rapaz de dentadura falsa fazendo uma imitação barata de mais de 20 anos de antiguidade, ou uma mulher de peruca com voz estridente gritando histérica e desafinada, pode-se dizer que você roubou parte da essência dessa pessoa.

Mais ou menos aquilo que os índios temiam quando alegavam que a fotografia lhes roubaria a alma.

Não é a toa que os blogs e sites diversos se multiplicam, na tentativa de resgatar um pouco da autenticidade que se perdeu com a comunicação em massa. Talvez a situação hoje seja parecida com um novo Renascentismo, onde ver as mesmas notícias, ler as mesmas coisas, ter os mesmos interesses que todo o mundo não faz mais o menor sentido. Estamos todos antenados, mas cada um na sua 🙂

Saímos da Idade Média dos mega-portais e do jornalismo de viés político, dos infomerciais religiosos, das piadas enlatadas prontas pra aquecer no microondas, das pegadinhas e cassetadas orientais, e caímos de frente na multiplicação explosiva de pílulas de informação, próximas e afastadas da origem, ilhas de opinião, discussão e comentários, e especialmente, num vasto material humorístico espalhado pelos 4 cantos.

Óbvio que a maioria absoluta desse material está abaixo da linha de consumo. Fora que temos mais spammers, todo dia alguém posta uma mensagenzinha ridícula no seu scrapbook, blogueiros travam batalhas e atropelam o bom-senso por um punhado de audiência… Mas o mecanismo de acesso democrático da Internet mostra sua força; da quantidade podemos tirar a qualidade, e por que não o dizer: tem gosto pra tudo!

Mais que blogers e video-makers, muitos vêm se erguendo na defesa da inteligência do humor, e lutam para trazer de volta a dignidade para a Comédia. É o caso dos movimentos como o Comédia em Pé, o Sindicato da Comédia e o Clube da Comédia. Não se engane com a pouca criatividade na hora de batizar os grupos, esse pessoal tem muito a oferecer. Não se deixe levar pelas caras feias tampouco, pois esse pessoal seria engraçado mesmo se houvesse a remota possibilidade de serem bonitos.

Você, amigo, faça sua parte, junte-se a nós, produzindo e consumindo o humor refinado, a comédia sagrada e sátira inteligente, que tanto fazia falta em nossa geração.

Deixe de ficar assistindo a filmes ridículos com humor de banheiro. Esqueça os programas que apresentam semana atrás de semana as mesmas piadas sem graça. Tape os ouvidos para os bordões repetidos infinitamente na tentativa desesperada de fazer alguém rir.

Ajude a preservar o humor inteligente da extinção para que as próximas gerações possam conhecê-lo.

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique ‘Ai cacete’ da semana passada:

http://br.youtube.com/watch?v=JKMnArzmq9g

Causas e conseqüências

Continuando o papo sobre causas, vamos falar hoje sobre o movimento em defesa dos direitos humanos, da criança e do adolescente, dos animais, o movimento liberal e o movimento do software livre. É, estou tão animado quanto você.

Fiz o dever de casa e fui buscar informações sobre estas instituições. O movimento dos direitos humanos, por exemplo, defende garantias mínimas de vida, saúde e acesso a mecanismos legais e governamentais a todas as pessoas do mundo. Geralmente ele entra em conflito com a galera do movimento liberal, que pede que o governo interfira menos no dia a dia da população, e deixe os mecanismos de mercado (trabalho, remuneração e lucro) regularem as engrenagens sociais. O que geralmente é mal visto pela população brasileira, já que o brasileiro médio acha que trabalho é castigo, dinheiro cai do céu, as empresas são o Diabo, e o governo é Deus na Terra para os homens de bem. Vinde a nós.

Bem lembrado. Geralmente a defesa de uma causa se mistura com a Religião. O movimento pelos direitos dos animais, por exemplo, defende que tudo que se move e não faz fotossíntese têm quase os mesmos direitos que os seres humanos. Ainda não existe um movimento pelos direitos dos vegetais, ou dos minerais, ou dos fungos, ou do reino protista, ou monera. Mas imagino que algum direito eles tenham, pô!

Afinal você gostaria de ser arrancado de seu habitat natural e enfeitado com mil luzes pra servir de adorno na ceia de Natal? Ou ficar preso a um vaso minúsculo inibindo seu crescimento e ser constantemente mutilado para o exercício de paciência de um japa? Ou ser afogado no seu próprio excremento até morrer intoxicado de álcool ou oxigênio?

Todos os seres vivos estão sujeitos ao abate para alimentação ou vestimentas, ao uso para carga, e ainda, à exploração para simples adorno. Afinal de contas, existe realização maior para um cachorro descendente dos grandes lobos, ou um gato herdeiro legítimo dos tigres, do que andar pelo Rio Design no colo das madames? É ou não é a vida que eles pediram à Fauna?

Inclusive, é mais ou menos esse o objetivo da OAB para com os advogados (e seus melhores clientes).

Pra mim crueldade mesmo é eliminar a capacidade analítica e o caráter de um ser vivo. Transformá-los em zumbis passivos e consumistas. No momento que alguém convence uma pessoa inteligente que é engraçado ver um rapaz de dentadura falsa fazendo uma imitação barata de mais de 20 anos de antiguidade, ou uma mulher de peruca com voz estridente gritando histérica e desafinada, pode-se dizer que você roubou parte da essência dessa pessoa.

Mais ou menos aquilo que os índios temiam quando alegavam que a fotografia lhes roubaria a alma.

Não é a toa que os blogs e sites diversos se multiplicam, na tentativa de resgatar um pouco da autenticidade que se perdeu com a comunicação em massa. Talvez a situação hoje seja parecida com um novo Renascentismo, onde ver as mesmas notícias, ler as mesmas coisas, ter os mesmos interesses que todo o mundo não faz mais o menor sentido. Estamos todos antenados, mas cada um na sua 🙂

Saímos da Idade Média dos mega-portais e do jornalismo de viés político, dos infomerciais religiosos, das piadas enlatadas prontas pra aquecer no microondas, das pegadinhas e cassetadas orientais, e caímos de frente na multiplicação explosiva de pílulas de informação, próximas e afastadas da origem, ilhas de opinião, discussão e comentários, e especialmente, num vasto material humorístico espalhado pelos 4 cantos.

Óbvio que a maioria absoluta desse material está abaixo da linha de consumo. Fora que temos mais spammers, todo dia alguém posta uma mensagenzinha ridícula no seu scrapbook, blogueiros travam batalhas e atropelam o bom-senso por um punhado de audiência… Mas o mecanismo de acesso democrático da Internet mostra sua força; da quantidade podemos tirar a qualidade, e por que não o dizer: tem gosto pra tudo!

Mais que blogers e video-makers, muitos vêm se erguendo na defesa da inteligência do humor, e lutam para trazer de volta a dignidade para a Comédia. É o caso dos movimentos como o Comédia em Pé, o Sindicato da Comédia e o Clube da Comédia. Não se engane com a pouca criatividade na hora de batizar os grupos, esse pessoal tem muito a oferecer. Não se deixe levar pelas caras feias tampouco, pois esse pessoal seria engraçado mesmo se houvesse a remota possibilidade de serem bonitos.

Você, amigo, faça sua parte, junte-se a nós, produzindo e consumindo o humor refinado, a comédia sagrada e sátira inteligente, que tanto fazia falta em nossa geração.

Deixe de ficar assistindo a filmes ridículos com humor de banheiro. Esqueça os programas que apresentam semana atrás de semana as mesmas piadas sem graça. Tape os ouvidos para os bordões repetidos infinitamente na tentativa desesperada de fazer alguém rir.

Ajude a preservar o humor inteligente da extinção para que as próximas gerações possam conhecê-lo.

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique ‘Ai cacete’ da semana passada:

http://br.youtube.com/watch?v=JKMnArzmq9g

Mantenha o céu escuro

Vocês já devem ter percebido que há por aí uma grande campanha sendo montada, tendo como objetivo acabar com a Internet como conhecemos. Tal campanha é patrocinada especialmente por aqueles que não aprenderam ainda como lucrar e expandir seus monopólios para o cyber-território democrático que conseguimos defender até hoje.

Esses dias Elton John afirmou que a Internet é prejudicial a ele, ou melhor, à Música, e sugeriu o fechamento da mesma por cinco anos. Mas não foi nada de mais, seu geriatra já receitou nova medicação.

O que ninguém sabia, e eu revelo agora em primeira mão, é que foi detectado nos servidores da Cia que a declaração de Elton John pode (deve) ter relação com uma campanha da AGMC (Associação das Gravadoras Musicais Caducas) de utilizar artistas atuais (Elton John, Bob Dylan, Nat Cole, Bruce Springsteen, Michael Jackson) para minar a opinião pública sobre a Internet. O próximo alvo: a máquina de xerox.

Afinal de contas, a humanidade era muito mais feliz quando não se podia saber o que acontece do outro lado do mundo em instantes. Quando não se tinha webcams para conversar com pessoas ou simplesmente ver as ruas de Times Square, ou o pôr-do-sol em Tóquio.

Como era bom escrever uma carta e esperar 2 meses pela resposta daquele familiar em outro continente. Esperar chegar em casa para saber as notícias do dia. Ter que procurar jornal para saber a previsão do tempo.

Quer infelicidade que sentimos, não só de saber, mas de “sentir” que a Terra é redonda, e ver fotos via satélite de Foz do Iguaçú, os vulcões do Chile e os cassinos de Las Vegas…

Como é triste popularizar os blogs e a linguagem escrita. Unir pessoas que não se viam há tanto tempo. Compartilhar interesses. Assistir um vídeo do último congresso mundial de fãs de Star Wars.

Não me surpreenderia se um grupo desses resolvesse lutar contra a Lei da Gravidade, tão maléfica e responsável por tantas quedas mundo afora (que adiantaria alguém tentar explicar que sem a gravidade seríamos arremessados ao Espaço)…

Sinceramente, se essas pessoas querem abraçar uma causa, eu tenho várias sugestões.

Passando rapidamente pelas mais simples, que tal defender a natureza, o meio-ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ciência e cultura, as crianças, combater o aquecimento global, a poluição sonora (sabiam que não existe uma ONG sequer dedicada a isso??) ou tantas outras iniciativas, maiores ou menores, mais globais ou mais locais, que seriam praticamente inviáveis se não fosse a comunicação rápida, barata e independente que a Internet oferece?

Pretendo passar nas próximas semanas por algumas das iniciativas que me interessam em particular. Começamos hoje por uma bem singela.

Quantas vezes neste ano que passa você se sentou para olhar o céu noturno? Mesmo quem tem a vida noturna agitada, gasta suas horas dentro de shoppings, carros, boates, restaurantes… nunca tem o ceú como teto e objeto de contemplação.

Lembro de, alguns meses atrás, ter acordado de madrugada e ido à cozinha beber água. Olhando para área de serviço vi um clarão azulado. Corri até a janela para ver o que era e, para minha surpresa, era “apenas” a Lua cheia de uma noite quente, jorrando luminosidade sobre os tetos e ruas da Tijuca. (Alguém assistiu ao Feitiço da Lua [Moonstruck, 87]? Pois bem, era aquela Lua do Cosmo, me despertando à noite). Acordei minha esposa pra ver também, ela ficou meio enjuriada no início mas entendeu perfeitamente quando deu de cara com aquela cascata azulada brotando do céu.

O problema é que nas cidades, mesmo a maioria não tendo percebido, nosso céu noturno está desaparecendo. As estrelas, planetas, a própria Lua. Graças à “poluição luminosa” gerada pelos hábitos modernos e pela violência, as cidades cada vez mais avançam sua iluminação. Ruas, praças, praias, aeroportos. Por economia, grandes prédios são mantidos acesos por toda a noite, inclusive nos fins de semana. Inventaram até aqueles holofotes ridículos, apontados pras nuvens, que qualquer baile funk tem.

Obviamente, um dia (ou uma noite!) vamos sentir falta de ver as estrelas. Elas nos inspiraram a todos, de poetas a cientistas. Foi olhando para o céu que surgiram as religiões. Graças à observação dos astros, a navegação foi possível. Olhando para fora da Terra, descobrimos que toda nossa beleza e complexidade é apenas um grão de areia no céu infinito. Nos tornamos melhores, com certeza, ao descobrir que não somos o centro do Universo — afinal, era muita responsabilidade (e que esperança teria o universo?).

E é na esperança de conciliar o desenvolvimento urbano com a manutenção da beleza do céu escuro que surgiu a organização International Dark-Sky Association. Se você procura uma causa pra abraçar, ou simplesmente é um romântico apreciador das estrelas, não deixe de se manter informado.

Keep watching the skies…

Comédia em Pé

Apresentação do Henrique da semana passada, com legendas, disponível em:
http://video.google.com/videoplay?docid=8850793527841613888

Os sem mais

Esses dias no metrô, um estudante na faixa dos 16 anos, levantou para um senhor sentar. Antes que alguém pudesse elogiar ou aplaudir o gesto, seus colegas ensaiaram uma zoação, do tipo, “perdeu o lugar, mané”. Ele prontamente se defendeu:

Levantei porque quis. Outro dia um senhor reclamou pra eu dar o lugar. Ele ficou reclamando e eu fiquei pensando “é, legal, fica aí em pé mermo, é…”. O assento é preferencial, eu levanto se eu quiser.

Rapaz, várias coisas vieram à cabeça ao mesmo tempo, demorei a separá-las:

  • um estudante de ginásio, saudável e dedicado exclusivamente aos estudos não consegue interpretar uma regra escrita simples,
  • um adolescente sociável não acha que tem obrigação de respeitar e ser gentil com os demais, idosos ou não (e ainda acha normal que as regras não o obriguem a isso),
  • um jovem racional, usuário de transporte público, acha que os assentos preferenciais são para ser cedidos somente se a pessoa optar por isso (e nos demais? o ocupante é terminantemente proibido de levantar seja para quem for??).

Imagina que tipo de cidadãos estamos formando. Se juízes e políticos já têm dificuldade em interpretar as leis, imagine o caos que uma distribuição gratuita da Constituição brasileira a todos os cidadãos pode causar, graças às mais esdrúxulas interpretações possíveis.

Lembrei de uma reportagem com uma mulher que colava anúncios em orelhões e respondeu, quando interpelada pela repórter:

Ué, a rua não é pública? Posso colar o que eu quiser aqui…

De onde está surgindo todo esse utilitarismo e esse individualismo? Quando foi que de repente nós tornamos, cada um de nós, as pessoas mais importantes do mundo? Se eu não conheço, não é importante. Se não serve pra mim, é inútil. Se posso usar, posso abusar e nem preciso agradecer!

Será que sempre fomos assim? Dentro de nós, no cerne de nossos desejos, sempre quisemos ser o alvo de todas as atenções e favores, donos de todos os recursos ao nosso redor? Ou será que algo tem nos guiado nessa direção? Talvez livros com títulos como “Você é a pessoa mais importante do mundo”, ou programas de televisão onde quem passa todo mundo pra trás ganha o prêmio? Ou partidas esportivas com resultados manipulados em prol do mais forte?

Fui ao shopping no intuito de investigar essas possibilidades. As capas de revista, os filmes em cartaz, os anúncios de liqüidação, as estampas de camisa, talvez os materiais dos sapatos e bolsas da moda, os novos sabores de sorvete — algo tinha que servir de base para qualquer afirmação. E no pior dos casos eu procuraria a Constituição na livraria para colar alguns trechos legais.

Mas passeando pela livraria tive uma boa surpresa em ver o novo As 100 melhores crônicas brasileiras. Comprei na hora e fui correndo pra casa, ansioso pra ler, e esqueci completamente do objetivo do post de hoje. Foi então que tive uma decepção: nenhuma das minhas crônicas havia sido selecionada !

Alguém poderia dizer que eu já devia esperar por isso, pois se esse fosse o caso eu haveria de ter sido contatado antes da publicação, a respeito dos direitos autorais. Mas, honestamente, tinha esperança que houvesse talvez uma homenagem secreta a minha pessoa ali pelas últimas páginas do livro…

Estranho também que, dado o elevado número de crônicas (cem) e a baixa idade de nosso país (arredondemos para 500 anos), conclui-se que a cada cinco anos surge no Brasil uma obra melhor que qualquer crônica minha.

É dureza ter que me conformar, mas faço isso aproveitando ótimos textos dos grandes nomes selecionados. Afinal, não há vergonha nenhuma em perder uma competição de crônicas para Machado de Assis, Rubem Braga, Veríssimo, Sabino ou Tutty Vasquez…

Nesse clima de conformismo, lanço o projeto de uma nova compilação. Após Os cem melhores poemas brasileiros do século(Objetiva, 2001), Os cem melhores contos brasileiros do século(Objetiva, 2001), do Blog de Papel(Gênese, 2005), e As cem melhores crônicas brasileiras(Objetiva, 2007), estou selecionando candidatos para Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros !

A primeira coisa a fazer é conseguir algum do Governo pra financiar o projeto. Afinal, a iniciativa privada de nosso país não faz nada sem antes garantir um incentivo qualquer. E de mais a mais, se a gravação de um DVD de remix-ao-vivo (!) de O melhor de Vanessa da Mata (sic) merece quase um milhão em incentivos fiscais, será que meu livrinho não ganha uma esmola?

Na tentativa desesperada de atingir um público maior (como o adolescente e a moça dos primeiros parágrafos), vamos manter o livro sempre em bullets, com parágrafos pequenos, fontes grandes e ícones. O chamado formato Powerpoint, o único ainda aceito pêlo púbico, digo, pelo público jovem. Para conquistar o público norte-americano, cada texto deverá começar com o diálogo entre um suposto grupo de executivos e um monge de renome, num templo em algum lugar ermo, que soaria mais ou menos assim:


    Monge: – Esse próximo e-mail ensinou muita gente a aceitar a vida e ser feliz com o que se tem.Executivo 1: – Ah, eu lembro que um amigo comentou sobre esse e-mail, e disse ter mudado sua vida Executivo 2: – É verdade, minha irmã leu esse e-mail e passou a ser mais felizExecutiva: – Que ótimo, vamos ler tal e-mail e ser felizes também.

Por último, precisamos de exatamente cem posts/e-mails, para não comprometer o título. Afinal, quem compraria um livro cujo título não reflete seu conteúdo? Provavelmente daria em processo do Procon, ou Inmetro. E não adianta mudar o título, pois qual o apelo de venda de um título com números quebrados, tipo Os 73 melhores ? Pior ainda os números ímpares, primos… vai ter gente queimando um livro desses! Finalmente, quem compraria um livro com os 50 melhores, se do lado há um com os 100 melhores e pelo mesmo preço?

Infelizmente, apesar da blogosfera brazuca ter ganho muito em maturidade e personalidade ultimamente, a maioria dos blogs brasileiros (inclusive alguns dos grandes) ainda se resumem a clipping de notícias. Nenhum post deste tipo entrará nesta lista de 100 melhores, mas do resto vale tudo. O fato é que essa pode ser uma grande oportunidade para muitos.

Bom, vamos aos candidatos:

1° – aquele e-mail sobre o cara assaltado e estuprado por duas mulheres maravilhosas nos últimos 4 dias da semana, perguntando se alguém sabe por onde elas andam.

2° – e-mail que cita a pessoa que, após uma noite de bebedeira, acorda numa banheira de gelo com um bilhete avisando que teve seu órgão retirado por uma quadrilha internacional de venda de ânus zerados.

3° – Wellington Grey . net – post: A Tabela Periódica da Internet (Periodic Table Of the Internet). (como assim não pode participar porque não é brasileiro?)

4° – Dahmer / Malvados – post: Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira

5° – bic azul / Absurdos & Abstratos – post: O Atraso

6° – Kemp / Lactobacilo Morto – post: (diversos sem título)

7° – biz azul / Absurdos & Abstratos – post(s): No Metro I e II

8° – Ricky / blog0news – post: Semântica

9° – Dahmer / Malvados – post: ano 3 número 597

10° – Alexandre Inagaki / paralelos – post: Literatura na rede: a transição dos bytes para as bibliotecas

11° – Dahmer / Malvados – post: ano 2 número 493

12° – Alexandre Inagaki / pensar enlouquece, pense nisso – post: Bons Amigos

13° – e-mail com aquele Powerpoint das fotos do século (aquele do fogo com rosto de gente é maneiríssimo!)

14° ao 82° – (vagas dedicadas ao júri popular)

83° – Mamendex – post: O poder do pensamento positivo

84° – Mamendex – post: Faz um barulho aí

85° – Mamendex – post: Retrospectiva 2006

86° – Mamendex – post: Ligaram o foda-se

87° – Mamendex – post: Haja paciência!

88° – Mamendex – post: Hay que endurecer

89° – Mamendex – post: Você chama isso de m.?!?!

90° – Mamendex – post: E a gripe veio do espaço

91° – Mamendex – post: Responsum Quae Sera Tamen

92° – Mamendex – post: Tolerância ampla, geral e irrestrita

93° – Mamendex – post: O contador de ilusões

94° – Mamendex – post: A Teoria do Humor

95° – Mamendex – post: Paradoxalmente correto

96° – Mamendex – post: Vote, talvez

97° – Mamendex – post: A nova guerra dos sexos

98° – Mamendex – post: Ordem, Progresso y otras cositas más

99° – Mamendex – post: Um grande pequeno golpe

100° – Mamendex – post: Tem 1 real ?

Mandem seus candidatos. Vale votar em sí mesmo. Daqui a um mês ou dois posts (o que vier por último!) eu publico a lista dos vencedores. Desde já aceitamos reservas também para os interessados em comprar o fabuloso Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros*.


* Pagamento adiantado e frete por conta do comprador. Para valores de frete entrar em contato. A reserva não garante o recebimento do produto. Entregas para o exterior sujeitas à tributação exclusiva.


Ah, e se você ficou interessado no
As Cem Melhores Crônicas Brasileiras (Joaquim Ferreira dos Santos, Objetiva), basta procurar nas melhores livrarias, virtuais ou de tijolo. Ou aguardar até que alguém resolva anunciar por aqui…

O poder do pensamento positivo

Nesse momento em que passo por um período melancólico, como disse anteriormente, observo do alto a crise aérea que nosso país vem enfrentando e lembro com saudade da época que a pista de Congonhas era duas vezes maior, em São Paulo quase não chovia, e nenhum vôo atrasava.

Lembro também da época que só Galvão Bueno e o povo brasileiro — mas não os políticos — eram especialistas em qualquer assunto imaginável.

Falando em políticos, havia alguns com boa oratória, personalidade e sangue quente, que dava até gosto ouvir, mesmo que discordasse de sua opinião. Estes, ao contrário de pai-adolescente, sumiram após assumir.

A única coisa que não mudou nestas últimas décadas, é FHC dando pitacos de algum lugar longe do Brasil.

Habituado que sou a freqüentar a nata brasileira, e de participar de memoráveis saraus com as melhores personalidades e maiores intelectos de nossa nação, olho ao redor e me vejo sozinho. Será que foram todos embora? Ou finalmente me tornei o maior intelecto vivo em terra brasillis?

Na falta de coisa melhor, venho passando o tempo lendo os comentários nos sites de notícia. É interessante tentar enxergar o ponto de vista de determinadas pessoas. O primeiro ponto que chama a atenção está na editoria de Ciência. Toda vez que um estudo é divulgado, por exemplo, Sonda descobre sinais de vapor de água em lua de Saturno, os comentários se resumem a sugerir que o dinheiro gasto nestas pesquisas seja usado pra acabar com a fome no mundo, ou o quanto é ridículo procurar sinais de vida se a Bíblia diz claramente (!) que só existe vida na Terra. Imagino que essas pessoas são contra vacinas e microondas também, ou pensam que esse tipo de coisa dá em árvore, sei lá.

Olhando uma notícia na editoria correlata, Astrologia e Celebridades, vejo que Astrólogos prevêem que Sol em Áries favorece nova ida de Paris Hilton à prisão. Ora, alguém por favor sugira o que fazer então com o tempo e dinheiro do pessoal envolvido nesta notícia.

Na editoria de Livros de Auto-Ajuda Coletiva da Moda, vejo uma matéria de 15 páginas sobre o livro O Segredo, uma entrevista de 22 páginas com a autora do mesmo, e o link pra matérias de revista sobre Os Segredos de O Segredo. Lendo os dois primeiros parágrafos de um destes links descubro que o livro faz parte do Clube de Oprah e revela “dentre outras coisas” como o pensamento positivo pode atrair coisas positivas para sua vida.

Mentalizei desejando não perder tempo nem gastar 30 reais num livro vazio e sem sentido, e meu desejo se realizou na hora!

Lembrei da minha crítica a ‘Damn’ Brown, o autor (?) de O Código da Vinci, quando ele diz no prefácio que muitos dos rituais secretos que ele descreve são verídicos. Ora, se um ritual secreto é de conhecimento público, ele não deveria deixar de ser secreto? E qual o sentido de manter um ritual secreto, uma vez que ele não é mais segredo pra ninguém?

Estendo a pergunta a autora deste novo livro: compartilhar um segredo com 15 milhões de pessoas não o faz, no mínimo, menos secreto? “Venha ler o Segredo que todo mundo já sabe!”. “Leia o livro antes que mude de nome”. Imperdível.

O prezado leitor deve se perguntar porque eu critico tanto esta categoria de livros, Auto-Ajuda Coletiva, e aquela editoria de notícias, Astrologia das Celebridades. Antes de mais nada, são duas implicâncias completamente diferentes.

No primeiro caso, critico aqueles que procuram respostas, sem nem saber a pergunta. Essas pessoas que começam o filme perguntando: “ele morre no final?”. Para estas pessoas, sugiro pensar a respeito do porquê se saber o sentido da vida antes do fim dela. Após descobrir o sentido da vida, faria sentido continuar vivo? Recomendo o ótimo Guia do Mochileiro das Galáxias para refletir a respeito do quão prejudicial pode ser saber a resposta antes de descobrir a pergunta.

No segundo caso, lamento pelas pessoas que se interessam mais em saber sobre os outros antes de saber sobre si mesmo. Todos nós precisamos compartilhar cultura, notícias, comportamento entre membros da família, sociedade e cada vez mais, toda a comunidade global. É saudável ter heróis e crenças. O que um escritor é, por exemplo, senão os livros que lê? Mas nunca se engane, você é bombardeado o tempo todo para tirar o foco de sua vida e colocá-lo na vida dos outros. Afinal de contas, cuidar de sua própria vida não dá dinheiro pra quem vive de coluna de fofocas…

Como por exemplo uma empresa convence alguém a comprar seus produtos? Exaltando suas qualidades? Ha! Não, não. É preciso alguém famoso pra criar o “canal” de comunicação com o consumidor final, o cidadão comum, ou, como o Bonner diz, o Homer Simpson, que assinará o cheque. E ter alguém famoso anunciando seus produtos custa caro, portanto é necessário fazer alguém ficar famoso, de forma prática e indolor, pra poder ser utilizado para aquela campanha publicitária (e descartado em seguida).

Agora você entende como o poder do pensamento positivo (PPP para os íntimos) pode influenciar a vida de muitos? Por exemplo, você deseja ser famosa pra ser igual aquela menina-que-esqueci-o-nome que vai casar com o ex-BBB. Você deseja e bang! consegue ingresso praquela festa. Uma mini-saia e duas doses de uísque depois e bang! você aparece na revista do lado daquele ator de Malhação. Uma reportagem insinuando algo e bang! você é a nova possível ex-namorada dele, que está com o coração em pedaços. Uma ponta na televisão, uma nova festa e quem sabe, bang!, você não está anunciando o DDD mais barato do Brasil? Mais PPP e mais bang e você é capa de revista (de fofoca), convidada em programa (de fofoca), o céu é o limite! Vai até escrever livro de Auto-Ajuda Coletiva, quem sabe…

É o Pan aí ó!

Se contar ninguém acredita, mas não é que o Pan do Rio foi um sucesso? A cerimônia de abertura foi um espetáculo, os locais de competição estavam bonitos, o trânsito tranqüilo, o Brasil trouxe ouro pra casa (quer dizer, manteve o ouro em casa)… Nem a inveja da tucanada conseguiu atrapalhar o evento.

A classe média carioca se vestiu de branco (sua roupa típica de protesto) e após tomar chopp no calçadão, pegou o ingresso de 250 reais e vaiou o presidente da República, mostrando até onde vai sua capacidade político-reacionária. O que ninguém soube explicar é: quem aplaudiu o Caesar Maia?? As fitas de segurança do estádio não deixam claro, pesquisadores atribuem o feito ao Fantasma do Maracanã, famoso na época do maqueiro Sombra.

Mas voltando a falar de esporte, os destaques da competição foram muitos: o Tiago do Judô – que tem pressa de ganhar, o Thiago da Natação – pra quem qualquer estilo é nado livre, a Fabiana do salto com vara – que mais um pouco bate recorde, e o Bernardinho do vôlei – o careca estourado, que cortou o titular e convocou o filho. O técnico perdeu finalmente sua blindagem (sem perder o apoio da TV), mas por uma boa causa: levantar o cachê da família…

Mais uma sacanagem do Pan das Surubas.


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