Arquivo para maio \31\UTC 2007

Faz um barulho aí

O tempo passou e atendendo a pedidos a coluna está de volta !

Fui orientado pelo meu gurú espiritual a afastar-me das tarefas “blogais” por conta de um furacão que se formava no sudoeste do meu mapa astral, perto da região que ele apelidou de “Triângulo das Bermudas”, em homenagem a uma antiga confecção de moda surfe. Nessa tal região do mapa havia um desequilíbrio no continuum espaço-tempo, causado em parte pelo desaparecimento de Plutão, que fazia com que toda energia que ali passava se convertesse em matéria. Você pode imaginar o problema que é passar matéria por onde só deve passar energia? Dói muito!

Mandei meu mapa para o Stephen Hawking, pouco antes dele ir pro vôo de gravidade zero. Ele me retornou agradecendo pela contribuição à Física com esse fênomeno inverso aos Buracos Negros (ou afro-descendentes), chamado temporariamente e de forma não-criativa e sem alguma graça, de “Calombo Branco (ou euro-descendente)”.

Pois bem, graças ao Calombo Branco minha vida chegou a uma encruzilhada. Logo em seguida, a encruzilhada tornou-se um abismo. Foi quando o chão começou a ceder, e tudo começou a girar em direção ao fundo, como a descarga de uma privada. Ainda estou passando pelos encanamentos em direção a sabe-se lá onde, mas cheguei num ponto em que já consigo enconstar e apreciar a viagem…

Mas chega de fatos e vamos às metáforas.

Ano novo, vida nova. Quando finalmente consegui o apartamento que tanto queria, perdi o emprego (que não queria muito mesmo). Foi nesse momento que fiquei sabendo que ia ser pai. Quanta felicidade eu senti. Embora também tenha me sentido um pouco ansioso, um pouco tenso, um pouco confuso, feliz novamente, alegre e ansioso mais um pouco, tive medo duas ou três vezes, e finalmente fiquei ansioso, tenso, feliz e medroso. Foi quando entrei em pânico. Depois me acalmei, e fiquei feliz novamente. E tenso e ansioso.

Fui correndo avisar a meus amigos. Descobri que muitos haviam subitamente se mudado. Resolvi pegar um filme na locadora, pra relaxar. A locadora havia mudado. Achei que fosse pirar.

Ou quase. Quanta melancolia, quanto apego ao passado. Acho que tenho vivido de forma leviana, contrária a minhas crenças. Ou não. Precisava pensar em como controlar meus pensamentos. Tive medo de perder o controle.

Mas então meu filho nasceu. E tudo ficou bem. Ou quase.

Já não me reconheço mais. Não sei mais quem eu sou. Não tenho mais nada ver com o que eu era 3 meses atrás; por não achar esse vínculo, não consigo me situar. Um paulista me falou no Ceará, com um inacreditável sotaque interiorano (pra quem estava longe de casa há 20 anos): “árvore que perde a raiz, seca e morre”.

Precisava portanto me reencontrar comigo mesmo, com meus vários eus anteriores, colocar todo mundo numa sala pra conversar abertamente, restabelecer os vínculos, colocar o papo em dia, etc, para então poder continuar com meu presente.

Mas perder minha casa foi algo difícil de lidar.

Sempre fui muito caseiro, sempre gostei muito de ficar em casa, apesar de qualquer problema ou reclamação que tivesse. Ao me mudar, não consegui fazer a transferência, me perdi por não ter mais um lugar para me sentir em paz, calmo.

Contei na manhã de quinta-feira, 8 horas. Eu não consegui passar de 45 segundos sem que uma sinaleta de garagem tocasse. Cada sinaleta toca por entre 30 e 60 segundos. Fazendo uma aproximação esdrúxula, podemos dizer que das 7:30 às 9:30, as sinaletas tocam 50% do tempo, ou seja, o silêncio é quase uma exceção.

Sem contar o barulho do trânsito. Sem contar o barulho da academia e da casa de festas. Sem contar o barulho do restaurante argentino. Este é tão argentino que quando fecha ainda programa o alarme pra despertar 3 vezes por madrugada…

A vontade que tive na primeira noite que passei no novo apartamento foi ligar urgentemente pra imobiliária e o antigo proprietário e desfazer o negócio. A primeira semana foi um sofrimento inacabável. Não conseguia ficar parado em nenhum cômodo, passei noites em claro, evitava estar em casa, pegava o carro só pra sair dali.

Sempre tive medo de morar num lugar barulhento. Preciso agora aprender a conviver com isso. Sempre tive raiva quando via alguém jogar lixo no chão, preciso aprender a conviver com isso também. Motoristas avançando sinal, motos buzinando, cachorros sujando a rua… nada disso vai acabar. Nunca.

Eu lembro de uns anúncios de empresas de segurança e armamento que vi nos EUA, algo tipo “as guerras não estão indo a lugar nenhum e portanto nós também não”. Acho que a idéia é mais ou menos essa. As pessoas irritantes deste mundo não estão com os dias contados. A violência não está prestes a acabar. Nem a injustiça. Nem a corrupção no Brasil. O Mundo não vai ser um dia, um lugar perfeito, sem medos, sem raivas, utópico. E eu, nos meus 30 anos, já devia ter aprendido isso.

Vivendo e aprendendo.

Eta nóis!

O Brasil não descobriu o Etanol, mas dominou o assunto, agora o mundo descobre o etanol brasileiro. Contudo, muitas dúvidas surgem ao longo desse caminho.

Como evitar que o plantio de cana acabe com a Amazônia?
Muito fácil, a própria incompetência brasileira. Afinal, nós mal conseguimos escoar a produção do litoral, que dirá a produção no meio da selva. A não ser que alguém nos venda um “canaoduto”.

Como acabar com o trabalho escravo nas lavouras?
Com mais empresas plantando, com a melhora das vendas, a tendência é uma maior concorrência pela mão de obra. Alguns sugerem a substituição dos bóia-frias pelo trabalho forçado dos detentos, especialmente os presos por corrupção. Há quem sugira ainda que qualquer político que renuncie deva terminar seu mandato cortando cana.

Como evitar que o Brasil seja ameaçado por conta do “novo petróleo”?
É fácil, olhe nossa imensidão territorial e nossa população. Basta ninguém oferecer melhor futebol, melhor bebida e melhores mulheres. Pensando bem, um consórcio entre Itália, Escócia e Suécia poderia desestabilizar nossa nação!!


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