Arquivo para maio \12\UTC 2006

Haja paciência!

Chego em casa, pego a correspondência e puxo assunto com o porteiro:

– E aí, Zé, terminaram de demolir o prédio?
– Como assim?
– Acordei hoje 8 e meia e o prédio parecia estar sendo demolido comigo dentro. Corri logo pro corredor.
– É, tá em obra a coluna 1, no sexto e no quinto.
– É, mais uma. Essas obras não acabam nunca?
– Ah, tá acabando já…

Pego o elevador, que esqueceu e pulou o meu andar, indo até o décimo-sétimo. Desço traqüilamente, sem revolta. O papel de parede dos corredores está todo arrancado e rabiscado pelas crianças do prédio. O pessoal do andar desistiu de reclamar ou pagar pela manutenção (que o condomínio não se responsabiliza).

Prendo a respiração. A inhaca no corredor está demais. Meu vizinho cria 4 cachorros: um labrador, um pastor alemão, um poodle e um morto, que fede 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quando aquela porta abre é um Deus nos acuda. Não tem Bom-Ar ou desinfetante que dê jeito naquele corredor. Tô pra deixar umas máscaras de emergência penduradas. Ainda bem que não é vizinho de porta, ou janela, a outra vizinha reclama de carrapato na varanda dela, que nem cachorro tem…

Com uma pausa rápida pra respirar ar puro de dentro da Lixeira, entro em casa e bebo água, enquanto leio a correspondência. “De acordo com Assembléia e em virtude da alta conta da Cedae e da impossibilidade de acordo judicial para cobrança de atrasos de unidade, o condomíno está sendo reajustado para 400 reais”.

Puta que pariu! O amigo leitor me desculpe. Mas PUTA QUE O PARIU! [Aliás, por que alguma pessoas tem a mania de falar “PUTA” alto e “que pariu” baixo? O palavrão é “puta”, “que pariu” (versão curta) ou “que-o-pariu” (versão detalhada) não constituem palavrão em nenhum caso]

Voltando ao assunto, puta que o pariu! Vejo a prestação de contas do condomínio, pelo menos 3 unidades estão pagando multa (de 10 reais!) por atraso, pelo menos 5 unidades simplesmente não estão pagando multa nem atraso, e ainda há uma unidade isenta de condomínio (sabe lá Roberto Jefferson por quê).

Outro trecho me chama a atenção: “Abril/2006 – Obras em andamento: 11”. Cacete! 11 obras em andamento num mesmo prédio! Haja vazamento, haja conserto e haja conta de água. Quanto mais consertam vazamento, mais a conta de água aumenta. O presidente da Cedae deve morar no meu prédio. 11 obras e um segredo.

Toca o interfone:
– É o Zé, é pra avisar que vai cortar a água dos dois banheiros em 10 minutos.
– Ué, mas por quanto tempo?
– Ih, até amanhã. De repente o fim de semana todo. Tá com um vazamento feio no 1o. andar…
– Mas são 18:30! Vou ficar sem banheiro até amanhã??
– Ah, se correr dá tempo ainda…

Abro a janela pra respirar um pouco. O cachorro chato da vizinha está latindo pra chuva. Ou pros carros, vai saber. O lance é latir o tempo todo. Uma vez eu cronometrei: foram 40 minutos de latido ininterruptos. Seria um recorde? Anotação mental: pesquisar sobre os cachorros mais chatos do mundo.

Um som de bateria entra junto do latido: crassh!, tum-tum!, crasssh!! Acho que vem daquela casa estranha da rua da frente, acho que tem um curso de música lá. Mas peraí!! Tô ouvindo som de bateria da rua de trás também! Era o que faltava, tem uma banda nova no bairro, ensaiando na rua que dá nos fundos do prédio. Quase não dá pra ouvir nada, exceto a bateria, que por sinal é bem limitada. O prato de 19″ não deve ser novo, o cara chega a dar uma pausa antes de arrebentar a baqueta nele. É só o que se ouve da banda: crasssh!

O som das crianças no play não incomodaria tanto, se não fosse pela música que eles têm que ouvir nas alturas. Geralmente as mesmas cinco músicas, repetidas horas a fio. Pelo menos é desligado as 22:30, diferente de algum lugar misterioso de onde se ouve um som grave e irritante a madrugada inteira, geralmente nos fins de semana.

Acordar ao som de marteladas, dormir ao som de baterias, pagar 400 pratas por mês pra viver num prédio de caloteiros com um elevador caduco, um corredor fedorento e latidos intermináveis, e ainda por cima sem poder usar o banheiro.

E tem gente que reclama de bala perdida…

PS: Às bandas do bairro, toda a sorte do mundo! Que façam sucesso e se lancem, de preferência, em carreira internacional (bem longe de casa!).

Rio em cena

Acabou a greve de fome do Garotinho. O regime fez muito bem, pagou parte dos pecados, ficou bem melhor aparentado, mais saudável. A Rosinha é que tá desesperada agora, vai ter que perder uns 10 kg pra segurar o marido…

Projeto de Projeto de Lei

A Assembléia Legislativa vai ao programa do Faustão pra iniciar a pesquisa: Depois do vagão feminino, qual deve ser o próximo vagão especial nos trens e metrôs?

– Vagão GLS
– Vagão de quem canta, assovia ou ouve música alta
– Vagão de quem tá com mais pressa
– Vagão de quem não tomou banho
– Vagão sem bancos para idosos: afinal o que eles estão fazendo num trem na hora do rush??

Ajuda

Isso é sério. Quem trabalhar ou tiver contatos na Vivo ou Anatel por favor entrar em contato pelo email mamendes@bol.com.br. Minha esposa tem recebido contas (na faixa de 900 reais) de um celular que ela cancelou em 2001. Algum pilantra reativou a linha (no nome dela) e está fazendo ligações astronômicas… E a Vivo, que está ‘investigando’ há uns 4 meses ainda nem sequer bloqueou a linha !!!!

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Hay que endurecer

Rio de Janeiro, Bar Luis, noite de quarta.

– Garçon, trás um conhaque.

Pego a caneta e o caderno e começo a fazer as anotações. Acendo o charuto, recosto na cadeira e visualizo a outra meia dúzia de clientes do bar.

Foi uma semana agitada, e eu não tive tempo de escrever. Garotinho fazendo greve de fome, a Bolívia tomando a Petrobrás, o caseiro pedindo uma aposentadoria milionária de indenização, deputados gastando Iraques de petróleo em cotas de gasolina, as obras do Pan que vão ficar prontas na semana de abertura do evento, o país adquirindo a auto-insuficiência e, finalmente, o Chico confessando que fuma e brocha.

Infelizmente todas as boas piadas já foram usadas. Só me resta lamentar os ocorridos. E talvez um plágio ou outro.

– Garçon, me vê aquela porção de milanesa e salada de batata.

Garotinho, esse grande gênio da política, religião e rádio-difusão, o grande mentor da grande Rosinha, essa futura Senadora, futuros santos-beatos já em processo de canonização. O aprendiz que roubou o apelido do mestre. Esse mesmo. Face à complexidade do mundo e a pouca fé da Humanidade, esse grande homem público, lembrando ídolos como Gandhi, resolveu de forma nobre entrar em greve de fome e doar as suas 3 refeições diárias aos famintos, enquanto não acabarem as guerras no mundo, a poluição do meio-ambiente e enquanto a TV brasileira não reprisar a série Chips.

Tão bombástico quanto o regime do Garotinho ou o cancelamento do show do Zeca na festa de comemoração da auto-suficiência em petróleo do país, foi a ocupação, uma semana depois, das instalações da Petrobrás pelas tropas de elite do presidente-índio-cocaleiro Erva Morales. Erva tomou a decisão após reunir-se com seu gabinete e tomar um cházinho para abrir as idéias. Em seguida, acionou 100 soldados (metade do contigente do país), munidos de tacapes, pedras e aquelas flautas de bambú — armas típicas dos índios bolivianos. Cercaram as instalações brasileiras e ficaram tocando na porta até que alguém comprasse um CD — ou cedesse o controle dos prédios.

Desde a ocupação vários especialistas surgiram explicando quando e como nosso país errou ao importar a matéria-prima do nosso vizinho gasoso. “Foi mexer com gás deu nisso”. Outros afirmam que foi-se a época em que era fácil passar a perna em índio. “Não existem mais bobos no futebol, e nem no setor energético”, afirma um técnico da área.

Mas os problemas não acabam por aí. O determinado Erva pretende, a médio prazo, acabar com todas as reservas de gás do país (acendendo um fósforo nas minas) e plantar coca em tudo o que sobrar. Os gasodutos seriam aproveitados e convertidos em cocadutos, distribuindo de forma rápida e barata a especiaria boliviana.

Diplomatas brasileiros trabalham num acordo que possa garantir resultados para ambos os lados. Alguns estudam a possibilidade de devolver o Acre à Bolívia, em troca das minas de gás. Outros países estão oferencedo acesso ao Pacífico, ao Atlântico e até ao Índico aos bolivianos. Movimento no Orkut exige a anexação do país vizinho, antes que a coisa piore. Pela política externa do nosso governo até agora, porém, o mais provável é exatamente o contrário…

Portanto vá caprichando no seu espanhol, compre o CD alí na São José, e acostume-se ao prazer de um bom chá direto dos Andes.

– Garçon, o café e a conta.

Polêmica

Trecho divulgado do Evangelho Segundo Judas:

“Vesti uma roupa bem quente e, debaixo do Sol escaldante, repeti tudo que ouvistes à exaustão. Espalhai-vos e gritai aos brados, em toda praça ou esquina, a assim chamada palavra do senhor. Gesticulai em excesso, enchei o saco dos transeuntes, xingai as outras religiões e mencionai o nome dos Santos e do Capeta em alto e bom som.”

Cena carioca

No matagal que ocupa o espaço onde será o Velódromo do Pan, várias autoridades da Cidade, Estado, União e inclusive internacionais, acompanhadas de perto pela Imprensa, todos munidos de capacete, declararam-se satisfeitas com o andamento das obras (!).

A pergunta que não quer calar é: pra que servia o capacete? Não havia nenhuma estrutura de pé no local!


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