Arquivo para setembro \22\UTC 2005

Ordem, Progresso y otras cositas más

Estava assistindo o Fla x Flu na quarta, durante o show de uma amiga. É difícil se concentrar nas duas coisas ao mesmo tempo, mas quando o Pet bateu a falta e balançou a rede, o grito não foi em coro com a música. O juiz manda voltar – alívio – e então Tuta, com a mão e impedido, balança a rede novamente. Antes valesse o primeiro…Nesse momento de tristeza, lembrei-me do discurso do Severino. Triste, forte, emocionante. Tive pena dele nesses últimos dias, e não falo brincando, é sério.

Porra, pena do Severino? É. Por que não?

Lembre que o cara foi colocado alí, presidente da câmara, numa “travessura” dos deputados, pelo desprezo do governo com relação à casa, principalmente ao tal “baixo-clero”. O tal nariz empinado do Zé Dirceu, que até voltou à discussão durante a(s) CP(M)I(s).

Sim, uma travessura, daquelas que a criança faz pra chamar a atenção da mãe. Tipo colocar fogo no cabelo, ou preparar uma armadilha de urso para o irmão mais novo, ou dar descarga no remédio pra pressão da avó. Inocente assim.

Mas a gente mais cedo ou mais tarde aprende que fazer uma fogueira com meio litro de gasolina, e jogar nela um pneu velho amarrado com 5 “cabeções-de-nego” tem conseqüências… E alguém vai ter que arrumar água pra apagar o incêndio que já se alastra pela cerca de madeira do vizinho.

Foi assim com Severino. A piada passou, perdeu a graça, virou um leve constrangimento. Era necessário tirar ele dali. Não antes de humilhá-lo, como se fosse responsável pela própria eleição, seja pra deputado federal, seja pra presidente da câmara.

Sim, era necessário to Kill Severino.

Assim foi batizada a operação da polícia federal para eliminar o deputado federal pernambucano. A primeira tentativa, em conjunto com o FBI e a CIA, foi mandá-lo para Nova York em pleno 11 de Setembro. Ele passou o dia inteiro na torre do Empire States. Mas nada.

Então ofereceram ao sr. Cavalcanti e sua esposa um passeio de carro aberto pelas ruas do Brooklin, Harlem, Soho, Tribeca, com direito a um almoço em Hell’s Kitchen. Severino, esperto, trocou esse circuito por um passeio de metrô na Z train Queens bound.

Incansável, a inteligência americana mandou que o levassem para Nova Orleans no dia seguinte, mas mais uma vez o cabra macho percebeu a manobra: “Se for pra ficar coberto de lama, num turbilhão de reviravoltas, e ver o teto cair à minha volta, diga ao povo que volto pra Brasília”.

E assim foi.

Até que um integrante da delegação americana, o contador e advogado criminalista Terry Danislov – o mesmo que ajudou a prender Al Capone – teve uma idéia: “Dizem que no país todo mundo é corrupto, vamos prendê-lo por corrupção!”. A equipe brasileira não conseguiu esconder o constrangimento: “Po, seu Danislov, não é bem assim… Primeiro que político não se prende, a gente obriga eles a renunciar. Segundo que se todo corrupto renunciar, o Brasil vai ser governado por uma junta para-militar de escoteiros-mirins…”

A começar que todo “convidado” à CPI leva sua autorização para o uso da mentira em defesa própria. “Isso é que é justiça”. Até a equipe do FBI gostou. “É o direito à mentira, está na constituição”, acrescenta o delegado brasileiro. “Igual aquela coisa da 1a. Emenda que vocês têm por lá”. O pessoal da CIA concorda com a cabeça. “Nosso país foi fundado em princípios democráticos de Ordem, Progresso, Mentira e Delação Premiada. Sem isso, não há governabilidade. Sem governo não há poder. E sem poder o negócio fica desinteressante pra maioria…”.

Só quem não gostou foi o obstinado contador americano, e já era tarde demais para tirar essa idéia da cabeça do gringo. Começou então a busca por provas de corrupção contra Severino. Documentos frios, transferências ao exterior, cartelas de bingo, qualquer coisa serverina, digo, serveria. Mas nada. Até que, finalmente, é encontrado um recibo escrito “Mensalinho” e um cheque com a assinatura:

X
“Essa era a prova que precisávamos”, afirma o contador. O destino de Severino estava traçado. O último nó que faltava era cobrir os gastos da operação. Coincidentemente, a operação Navalha na Droga da Carne obteve os fundos necessários.

“Eu voltarei, o povo me absolverá!”, brada, em sua renúncia. Kill Severino 2 ? Imperdível…

Falando nisso, essa coisa de marketing político tá em alta, depois do esquema revelado pelo Duda Mendonça e Valério-Duto. Os salários podem chegar a 9 mil reais, sem contar o por-fora (que pode chegar a 90 mil). E tem uns prospectos importantíssimos pra próxima eleição:

Garotinho. Sim, ele mesmo. Lí na Isto É que um renomado cientista político afirma que só trouxa não acredita na força do semi-bispo radialista. Já circula pelo meio alguns dos slogans: “Vote Garotinho e vá para o Céu”, ou se a coisa esquentar, “Quem não vota em Garotinho vai pro Inferno”. Depoimentos como: “Eu votei Garotinho e voltei a andar” também são válidos.

E o Lula provavelmente pode protelar contra esse governo corrupto neo-liberal e entreguista que aí está, sem mencionar que ele é o governo.

E finalmente, o Serra que, pra resolver sua total ausência de carisma e charme, pode se inscrever no BBB 5, no Fama, comer uma buchada de bode com farinha em Caruarú e, o mais importante, nascer de novo!

Quem se desesperou com isso, nada tema. Eu sempre votei nulo e as coisas nunca foram melhores. Só me pergunto: chegará o dia em que o brasileiro baterá no peito e dirá: “nunca ouve* um governo tão pouco corrupto como esse!”?? (*sim, do jeito que andam as escolas, o brasileiro mediano dirá assim, sem o “h”).

Afinal, até o Flamengo acabou empatando o jogo… Quem sabe o Brasil não se livra do rebaixamento e permanece na terceirona, junto com Bahia e Vitória?

PS: Este foi o terceiro episódio da Quadrilogia da Polêmica: Política. O primeiro foi Dinheiro, o segundo Religião. Não perca quinzena que vem, Sexo ! Imperdível !

Cena carioca:Uma campanha vem crescendo pelas ruas, em apoio à comunidade GLS. Se o motorista do carro à sua frente colocar a mão para fora e desmunhecar, buzine !

Um grande pequeno golpe

Vinha conversando com um amigo do trabalho sobre o tema da coluna dessa semana. “Tem é que arrumar uma maneira de ganhar dinheiro”, ele insiste nisso. Pois é, mas da conversa à ação o caminho é torto…Comentei que havia um objetivo por trás disso aqui. Que eu queria seguidores, quase uma religião. Foi então que surgiu esse tema.

Existem algumas novas religiões nos Estados Unidos que vêm ganhando adeptos. A primeira é a teoria do Projeto Inteligente (Intelligent Design), que já está inclusive pra ser ensinada nas escolas. Reafirma o Creacionismo e diz que a ciência até hoje não conseguiu afastar a idéia de um propósito por trás de tudo que é vivo, e que, portanto, toda a Vida foi planejada por um Ser inteligente. Serve pra colocar mais lenha na fogueira em que Darwin queima por aquelas bandas de lá…

A segunda nasceu na Web, propõe um novo Creacionismo através do Monstro do Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster). Conta como esse simpático Ser, composto de espaguete e almôndegas, criou e mantém o mundo que conhecemos.

A minha proposta também é baseada na Internet, mas não traz respostas fáceis. Em compensação ofereceria várias vantagens. Em primeiro lugar, ao invés do dízimo, o únimo, “apenasmente” 1%. É a religião mais barata do mercado. Você ainda ganha descontos em estabelecimentos conveniados, concorre a prêmios, tudo isso enquanto acumula milhas de viagens.

A capital da nova religião mudaria todo ano, e todos os seguidores ficam obrigados a passarem por lá no mês sagrado. Viagem paga, é claro, com o cartão de afinidade da religião e pode usar as milhas acumuladas! O evento seria patrocinado por empresas de telefonia e transmitido via web.

Wikipedia é a nossa Bíblia. Você ainda pode orar pelo celular e pagar promessas por e-mails. Novenas via chat. Baixe o podcast do culto e ouça no seu iPod a caminho do trabalho.

Quer saber as empresas e produtos aprovados e reprovados da nossa seita? Acesse o website. Acompanhe as atualizações via RSS. Receba diariamente um SMS de fé e esperança.

Que tal? Mas se nenhuma delas agradar, não se importe. Nove entre dez novas religiões não sobrevivem ao primeiro ano.

Curtas cariocas

O rapaz distribuindo papelzinho ali perto da 13 de maio, estendia a mão esquerda e depois a direita:

— Olha aí, olha aí, vamos lá. Pega dinheiro aqui, faz a festa aqui…

Anunciava na primeira mão empréstimos de uma financeira, na segunda os préstimos de um strip club. Isso é que é parceria em publicidade.


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